A liberdade religiosa na China enfrenta o seu período mais crítico em quatro décadas. Relatos recentes, corroborados por organizações como a China Aid e o jornal The New York Times, revelam uma ofensiva coordenada do regime comunista contra as “igrejas domésticas” (comunidades não registradas pelo Estado), resultando em prisões de líderes, confisco de bens e controle rigoroso de informações.
Ações contra a Igreja Zion
A Igreja Zion, uma das maiores denominações protestantes não oficiais do país, tornou-se o alvo principal de uma operação iniciada em outubro. Mais de 30 líderes foram detidos em diversas cidades. Entre os casos documentados, destacam-se:
- Pastor Sun Cong: Preso em Pequim durante uma reunião de comunhão; sua casa foi revistada e documentos confiscados na madrugada.
- Pastor Kim Tomorrow: Detido em sua residência em Guangxi. Sob sua liderança, a igreja havia expandido significativamente por meio de cultos online e plataformas digitais.
- Estratégia de Fuga: Familiares de pastores presos têm buscado refúgio no exterior temendo represálias contínuas.
Perseguição sob Disfarce
Em dezembro, na localidade de Yayang (Zhejiang), a repressão ganhou contornos cinematográficos. Um show de fogos de artifício, custando mais de 1 milhão de yuans, foi realizado na praça do governo. Segundo fontes locais, o espetáculo serviu como cortina de fumaça para ocultar uma operação de cinco dias que mobilizou mais de 1.000 agentes da SWAT e forças antimotim.
Durante o evento, o governo utilizou o “exército de água” — grupos pagos para manipular redes sociais — para promover slogans políticos e classificar a ação como uma “celebração contra o crime organizado”. Na realidade, centenas de cristãos foram levados para interrogatório e líderes respeitados, como Lin Enzhao e Lin Enci, foram incluídos em cartazes de “procurados” sob acusações genéricas.
Controle Digital e Ideológico
Com a ascensão de Xi Jinping, a vigilância tornou-se onipresente:
- Sermões Online: Novas regras restringem pregações na internet apenas a grupos licenciados pelo Estado.
- Censura: Relatos de prisões e invasões são rapidamente apagados das plataformas digitais chinesas.
- Simbolismo Estatal: Igrejas são pressionadas a hastear a bandeira nacional em vez de símbolos religiosos, uma prática que gera forte resistência.
Apesar da lei chinesa prever nominalmente a liberdade de crença, a realidade imposta exige submissão total ao Partido Comunista. Para os milhões de cristãos que se recusam a registrar suas comunidades sob controle político, a fé permanece uma atividade de alto risco no subsolo.




