Uma nova pesquisa mostra que líderes religiosos e membros de igrejas protestantes nos Estados Unidos ainda não chegaram a um consenso sobre como lidar com a inteligência artificial no contexto da fé. O estudo, conduzido pela Lifeway Research, ouviu mais de mil pastores e 1.200 frequentadores de igrejas protestantes americanas e apontou que, embora a tecnologia não seja unanimemente rejeitada, há preocupações claras tanto sobre sua confiabilidade quanto sobre seu impacto no cristianismo.
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Pastores entre o experimento e a rejeição
Quando o assunto é o uso pessoal da IA, os pastores protestantes americanos se dividem de forma bastante equilibrada. Apenas 10% se declaram usuários regulares da tecnologia, enquanto um terço afirma estar em fase de experimentação. Outros 18% dizem estar esperando ver exemplos mais concretos de como a IA poderia ajudar no ministério antes de adotá-la.
Por outro lado, quase dois em cada cinco pastores rejeitam ativamente a tecnologia: 18% afirmam evitá-la intencionalmente, e 20% simplesmente a ignoram. O perfil dos adotantes segue um padrão conhecido no mundo tecnológico — pastores mais jovens, com maior nível educacional, em igrejas maiores e em contextos urbanos são os que mais se aproximam da IA.
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Denominacionalmente, luteranos e batistas aparecem entre os mais céticos, enquanto pastores pastores de tradição pentecostal/carismática lideram a adoção. Entre os batistas, 20% afirmam ignorar a tecnologia e outros 20% a evitam ativamente. Já entre os pastores de igrejas de tradição pentecostal/carismática, 43% estão experimentando a IA e 18% já são usuários regulares.
O que preocupa os líderes
Mesmo entre aqueles que usam ou estão abertos à IA, as preocupações são quase unânimes. A grande maioria dos pastores — 84% — afirma estar preocupada com o fato de que os conteúdos gerados por IA precisam ser revisados e corrigidos com frequência. Outros 81% consideram difícil garantir que as ferramentas utilizem apenas fontes confiáveis, e 76% apontam a possibilidade de vieses embutidos nos algoritmos.
Questões éticas também pesam: 62% se preocupam com a falta de transparência dos usuários que não informam quando um texto foi criado com auxílio de IA. Para 59%, conteúdos gerados por IA retirados de outras fontes levantam questões de plágio. E 55% destacam um argumento mais teológico — Deus sempre comunicou Sua Palavra por meio de pessoas, e a IA simplesmente não é uma pessoa.
Scott McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, avalia que os pastores estão diante de uma dupla preocupação: “As principais preocupações dos pastores estão ligadas à confiabilidade das informações geradas pela IA, mas a maioria também está atenta à honestidade no uso desses conteúdos e ao risco de enfraquecer o papel da pessoa humana, especialmente no manuseio da Palavra de Deus.”
Fiéis divididos sobre IA no púlpito
Entre os frequentadores de igrejas, o debate sobre o uso da IA na preparação de sermões está longe de ser pacífico. Enquanto 44% dizem não ver problema algum no uso da tecnologia por pastores, 43% discordam — e desses, 24% rejeitam a ideia com convicção. Apenas 13% ainda não formaram uma opinião.
Curiosamente, quem frequenta menos a igreja — de uma a três vezes por mês — tende a ser mais tolerante com o uso da IA em sermões do que os frequentadores assíduos (48% contra 42%). Fiéis sem convicções claramente evangélicas também são mais abertos à prática do que aqueles com crenças evangélicas definidas (49% contra 40%).
A mesma divisão aparece quando se pergunta se os fiéis gostariam de ouvir um sermão que aplicasse princípios bíblicos ao tema da inteligência artificial. Enquanto 42% achariam isso valioso, 43% discordam — sendo 25% de forma contundente. Os mais entusiasmados com essa ideia são os mais jovens: 50% dos fiéis entre 18 e 29 anos e 53% daqueles entre 30 e 49 anos gostariam de ouvir esse tipo de pregação. Já entre os maiores de 65 anos, apenas 33% têm interesse.
Preocupação com a influência da IA no cristianismo
Se há algo em que os frequentadores chegam a um acordo, é na desconfiança em relação ao impacto da inteligência artificial sobre o cristianismo. Três em cada cinco fiéis (61%) afirmam estar preocupados com essa influência, contra apenas 28% que dizem não ter essa preocupação.
Entre os evangélicos, o número sobe para 67%, contra 55% entre aqueles sem crenças evangélicas definidas. Batistas (62%) e presbiterianos/reformados (64%) estão entre os mais preocupados, enquanto metodistas aparecem com índice menor (48%).
McConnell conclui com uma perspectiva equilibrada: “Assim como toda nova tecnologia exige investigação para ser bem utilizada, os cristãos têm a oportunidade de investigar os usos da IA de forma bíblica.” A pesquisa foi realizada em setembro de 2025, com 1.003 pastores protestantes entrevistados por telefone e 1.200 frequentadores de igrejas consultados online, ambos os grupos nos Estados Unidos.



