Pesquisadores da Universidade de York identificaram vestígios do raro corante púrpura tirio, frequentemente mencionado na Bíblia, em sepultamentos romanos descobertos na cidade de York, na Inglaterra. A descoberta ocorreu durante análises de túmulos datados entre o final do século III e o início do século IV d.C., período em que a região fazia parte do Império Romano.
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Os vestígios foram encontrados em dois sepultamentos de bebês. Um deles estava enterrado ao lado de dois adultos em um sarcófago de pedra, enquanto o outro foi colocado em um caixão de chumbo. Por meio de testes químicos, os pesquisadores detectaram resíduos do valioso corante em fragmentos de tecidos preservados e nos restos mortais.
Segundo a Universidade de York, os bebês foram envoltos em tecidos finos tingidos com púrpura tirio e decorados com fios de ouro, um tipo de material considerado símbolo máximo de luxo e prestígio na sociedade romana. Na época, o corante era extremamente raro e podia alcançar valores superiores ao do ouro.
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Os estudiosos acreditam que as crianças pertenciam a famílias de alta posição social, já que esse tipo de tecido era normalmente utilizado por imperadores e membros da aristocracia. A preservação dos fragmentos foi possível graças a uma prática funerária romana que consistia em cobrir os corpos com gesso líquido, formando uma camada protetora ao endurecer.
De acordo com a professora Maureen Carroll, responsável pelo projeto, esta é a primeira confirmação do uso do corante púrpura tirio em vestígios têxteis da York romana. A descoberta também reforça a evidência de que os habitantes mais ricos da cidade tinham acesso a produtos de luxo importados de diferentes regiões do império.
Passagens Bíblicas
Produzido a partir de secreções de determinados moluscos marinhos, o púrpura tirio era um dos corantes mais valiosos da Antiguidade e aparece em várias referências bíblicas. Em Atos dos Apóstolos 16:14, por exemplo, é citada Lídia, conhecida por negociar tecidos tingidos com essa cor.
Segundo o Fox News, outra menção ocorre em Evangelho de Marcos 15:17, quando Jesus foi vestido com um manto púrpura pelos soldados romanos em um ato de zombaria relacionado à sua condição de Rei.
Em entrevista à revista New Scientist, o arqueólogo Golan Shalvi explicou que os moluscos utilizados na produção liberavam uma substância esverdeada que, após um processo de oxidação e tratamento químico, adquiria a característica coloração roxa capaz de aderir aos tecidos.
A descoberta oferece novas evidências sobre o uso desse valioso corante no mundo romano e ajuda a compreender melhor a importância econômica, social e simbólica da púrpura na Antiguidade.



