Um novo relatório revelou a gravidade da violência praticada por extremistas islâmicos contra cristãos na Nigéria nos últimos anos.
Receba nossas atualizações
O estudo, divulgado pelo Observatório para a Liberdade Religiosa na África (ORFA), analisou mais de 15 mil ataques fatais e quase 4.600 casos de sequestro registrados em diferentes regiões do país entre 2019 e 2025.
De acordo com o levantamento, 28.551 cristãos foram mortos no período de seis anos. No mesmo intervalo, 13.224 muçulmanos também foram assassinados. Considerando o tamanho das populações religiosas nos estados onde os ataques ocorreram, a taxa de mortalidade entre cristãos foi cerca de 4,4 vezes maior do que entre muçulmanos.
Receba as notícias em tempo real!
Ataques e Sequestros
O relatório aponta ainda que 75% das mortes de civis aconteceram durante ataques a comunidades rurais. Essas ações envolveram assassinatos, sequestros, violência sexual e destruição de casas, plantações e meios de sobrevivência.
Além das mortes, o estudo registrou 34.773 sequestros de civis nos últimos seis anos. Segundo a ORFA, mais de 49% desses casos foram atribuídos a grupos terroristas não identificados, enquanto 43% foram cometidos por grupos terroristas fulani.
Tratamento Diferente
O documento também afirma que cristãos e muçulmanos sequestrados costumam receber tratamentos diferentes durante o cativeiro. Reféns cristãos, segundo o relatório, têm maior probabilidade de enfrentar pedidos de resgate mais altos, além de risco mais elevado de violência e execução.
Entre mulheres e meninas cristãs sequestradas, foram registrados casos recorrentes de conversão forçada, violência sexual severa e casamento forçado durante o período em cativeiro.
Ao todo, 79.323 pessoas morreram na Nigéria entre 2019 e 2025 em meio à violência analisada pelo estudo, o equivalente a uma média de 36 mortes por dia.
Terroristas Fulani
Segundo a ORFA, os grupos terroristas fulani foram responsáveis pela maior parte dos assassinatos de civis, com 44% dos casos. Em seguida aparecem grupos terroristas não identificados, com 32%; Boko Haram, com 8%; e a Província do Estado Islâmico da África Ocidental, com 4%.
Para o analista sênior de pesquisa da ORFA, Frans Vierhout, a violência ligada às milícias fulani tem sido o principal fator por trás do alto número de mortes no país.
“A violência ligada às milícias fulani é a força dominante por trás do número de mortos na Nigéria. A preocupação ocidental com o Boko Haram é, na melhor das hipóteses, enganosa. A Nigéria está incubando uma rede terrorista que o mundo exterior ainda não reconheceu”, afirmou à Christian Today.
Avanço da Violência
O relatório associa o avanço da violência à disseminação da ideologia extremista islâmica por meio do movimento Izala e à implantação da lei Sharia em vários estados do norte da Nigéria.
Ao final, o estudo apresenta sete recomendações políticas, entre elas maior atenção internacional à liberdade religiosa, aumento da pressão sobre as autoridades nigerianas para combater a violência, fim da impunidade, melhoria da cooperação entre governos federal e estadual, expansão da polícia comunitária e ampliação do apoio às vítimas, com aconselhamento em trauma e programas de reintegração.
A Nigéria ocupa atualmente o 7º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Missão Portas Abertas, que classifica os países mais difíceis para os cristãos viverem sua fé.



