O adolescente cristão Jonathan Muir Burgos, que havia sido preso durante protestos em Cuba, foi libertado após passar quatro meses detido.
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Segundo a Missão Portas Abertas, Jonathan, filho do pastor Elier Muir Ávila, deixou o presídio de Canaleta, em Ciego de Ávila, no dia 24 de junho. Ele havia sido preso em março, aos 16 anos, na cidade de Morón, durante uma onda de repressão do governo cubano contra manifestantes e cristãos.
Jonathan e seu pai foram detidos após participarem de protestos contra o governo, motivados pelas constantes quedas de energia, além da escassez de alimentos e medicamentos no país.
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Embora fosse menor de idade na época da prisão, o adolescente foi interrogado sobre sua participação na manifestação, incluindo perguntas sobre o que havia dito durante o protesto e se teria pedido liberdade.
O pastor Elier foi solto no mesmo dia, mas Jonathan permaneceu detido em uma penitenciária de segurança máxima destinada a adultos. No dia 2 de abril, ele foi formalmente acusado de “sabotagem”, crime que pode resultar em até dez anos de prisão em Cuba.
Os advogados do adolescente chegaram a apresentar um pedido de habeas corpus, mas a solicitação foi negada poucos dias depois.
Condições Precárias
Durante o período em que esteve preso, Jonathan enfrentou problemas de saúde, incluindo infecções, parasitas intestinais e desmaios. As condições precárias da prisão, marcadas também por uma infestação de percevejos, agravaram seu estado físico.
O jovem sofre de disidrose, uma doença dermatológica, mas teria sido impedido de receber atendimento médico adequado enquanto estava detido. Ele também passou seu aniversário dentro da prisão e foi libertado já com 17 anos.
Pedido de Oração
Até o momento, não há informações sobre a retirada das acusações contra Jonathan após sua libertação. Seus pais pediram que a Igreja continue orando pela recuperação física e emocional do adolescente.
O caso ganhou repercussão internacional. Organizações de direitos humanos e representantes governamentais manifestaram preocupação com a situação do jovem, especialmente por causa de sua idade e de seu estado de saúde. Entidades internacionais chegaram a classificá-lo como prisioneiro de consciência e pediram sua libertação.
Ativistas pela liberdade religiosa afirmam que a família do pastor Elier Muir Ávila já vinha sofrendo pressão das autoridades cubanas por causa de suas atividades religiosas. Ele lidera a igreja Tiempo de Cosecha, uma congregação independente não registrada pelo governo.
Em 2024, o pastor recebeu visitas de autoridades locais ligadas ao Escritório de Assuntos Religiosos do Comitê Central do Partido Comunista Cubano. Na ocasião, foi informado de que apenas igrejas autorizadas pelo governo poderiam funcionar e somente líderes reconhecidos pelo Estado poderiam ministrar.
O reverendo Mario Felix Lleonart Barroso, ativista cubano pela liberdade religiosa, comparou o caso à prisão do pastor Lorenzo Rosales Fajardo e de seu filho adolescente, ocorrida após os protestos de julho de 2021 em Cuba.
Pressão Contra as Famílias
Segundo a Christian Solidarity Worldwide, o governo cubano tem um histórico de atingir filhos de líderes religiosos como forma de pressão contra suas famílias.
Em Cuba, cristãos enfrentam detenções arbitrárias, ameaças, vigilância e assédio. Embora a participação em cultos seja permitida, novas igrejas não podem ser abertas livremente.
Diante da repressão, muitos cristãos têm encontrado abrigo espiritual nas chamadas igrejas domésticas, grupos que se reúnem em casas de pastores ou membros da comunidade para cultos, oração e estudo bíblico.
Repressão Governamental
De acordo com dados da associação ASCE Cuba, existem entre 20 mil e 30 mil igrejas domésticas ativas no país. Muitas funcionam sem placas, sem autorização oficial e sob risco constante de repressão governamental.
Cuba ocupa o 24º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, da Missão Portas Abertas, que classifica os países mais difíceis para os cristãos viverem sua fé.



