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O mercado de trabalho no setor privado está passando por uma transformação significativa com o aumento do trabalho por meio de plataformas digitais, como aplicativos de serviços e comércio eletrônico. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no quarto trimestre do ano passado, houve um total de 2,1 milhões de pessoas realizando trabalhos por meio dessas plataformas, representando 1,7% da população ocupada nesse setor.
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As atividades de transporte, armazenagem e correio foram as que reuniram mais trabalhadores, totalizando 67,3%. Isso inclui tanto o serviço de transporte de passageiros, como os serviços de entrega, que são os mais frequentes em aplicativos. Em seguida, o setor de alojamento e alimentação obteve uma participação de 16,7%, principalmente devido aos estabelecimentos de alimentação que utilizam as plataformas de entrega.
Surpreendentemente, a maioria dos trabalhadores nas plataformas digitais era composta por pessoas que trabalhavam por conta própria, representando 77,1% do total. Comparado ao setor privado em geral, onde 42,2% dos trabalhadores são empregados com carteira assinada, os trabalhadores por conta própria prevalecem no trabalho plataformizado.
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Em relação aos tipos de aplicativos mais utilizados pelos trabalhadores, o transporte particular de passageiros foi o mais popular, sendo utilizado por 52,2% dos trabalhadores de plataformas. Os aplicativos de entrega de comida ou produtos alcançaram 39,5% e os de prestação de serviços gerais ou profissionais representaram 13,2%.
Essa forma de trabalho por meio de plataformas digitais vem crescendo ao longo do tempo e tem impactado não apenas o mercado de trabalho, mas também os negócios e preços de setores tradicionais da economia. No entanto, é importante ressaltar que esse fenômeno também traz desafios, como a redução da remuneração dos trabalhadores.
No que diz respeito às características dos trabalhadores por plataforma, a maioria é composta por homens (81,3%) e pela faixa etária de 25 a 39 anos (48,4%). Além disso, a maioria possui níveis intermediários de escolaridade, com destaque para o nível médio completo ou superior incompleto, representando 61,3% dos trabalhadores.
Quanto aos rendimentos, os trabalhadores das plataformas digitais ganhavam, em média, 5,4% a mais do que a média salarial dos ocupados em geral. No entanto, essa diferença varia de acordo com o nível de escolaridade. Para os trabalhadores menos escolarizados, o rendimento era 30% maior do que os que não utilizavam as plataformas, enquanto para os trabalhadores com nível superior completo, o rendimento era 19,2% inferior.
Em relação à previdência e formalidade, apenas 35,7% dos trabalhadores por plataforma eram contribuintes da previdência, em comparação com 60,8% dos ocupados no setor privado. Além disso, a informalidade entre os trabalhadores por plataforma é maior, representando 70,1%, em comparação com a média de 44,2% no setor privado.
Essas estatísticas são importantes para entendermos as mudanças que estão ocorrendo no mercado de trabalho. É essencial que as plataformas digitais sejam regulamentadas para garantir direitos trabalhistas e evitar a precarização do trabalho. O IBGE está desempenhando um papel fundamental ao fornecer dados sobre o trabalho por meio de plataformas, permitindo uma análise mais aprofundada desse fenômeno.
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*Com informações da Agência Brasil



