Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Economia

Inadimplência continua preocupando, apesar de endividamento apresentar segundo mês de queda

Inadimplência continua preocupando, apesar de endividamento apresentar segundo mês de queda

Nível de endividamento das famílias brasileiras continua caindo, mas dívidas atrasadas aumentam

De acordo com a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o nível de endividamento das famílias brasileiras registrou uma queda pelo segundo mês consecutivo em agosto. No entanto, ao mesmo tempo, houve um aumento na proporção de pessoas com dívidas atrasadas e naquelas que afirmam não conseguir quitar os atrasos.

O índice de endividamento teve uma redução de 78,1% para 77,4%, o menor desde junho de 2022. Nos últimos 12 meses, a queda foi de 1,6 ponto percentual. Vale ressaltar que o termo "endividado" se refere a pessoas que possuem compromissos a vencer e não necessariamente contas já atrasadas. As modalidades de dívidas pesquisadas incluem cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado, prestação de carro e de casa.

Queda no endividamento é registrada em todas as faixas pesquisadas

Tanto no mês atual quanto no período acumulado de 12 meses, a queda no endividamento foi observada em todas as faixas pesquisadas pela CNC. Essa redução pode ser atribuída a dois fatores: uma inflação mais baixa em comparação com o ano passado e um mercado de trabalho resiliente, que tem absorvido pessoas com menor grau de instrução. Isso tem permitido que as famílias tenham uma folga no orçamento e busquem menos crédito para o consumo de bens e serviços, de acordo com a economista responsável pela Peic, Izis Ferreira.

Proporção de pessoas com contas atrasadas e inadimplentes aumenta

Apesar da queda no endividamento, a pesquisa revela um aumento na proporção de inadimplentes, ou seja, pessoas com contas atrasadas. Em agosto, esse índice alcançou 30%, igualando o resultado de dezembro de 2022. Segundo a economista Izis Ferreira, esse fato pode ser atribuído ao aumento de modalidades de dívida que torna mais difícil para o consumidor pagar todas as contas dentro do prazo de vencimento.

Outro ponto preocupante é o número de consumidores que afirmam não conseguir pagar as contas atrasadas, ou seja, permanecerão inadimplentes. Essa proporção atingiu o patamar mais alto da série histórica iniciada em janeiro de 2010, chegando a 12,7%. Essa situação afeta principalmente as pessoas com renda de até três salários mínimos. Mesmo com a inflação trazendo algum alívio para o orçamento doméstico, muitas famílias ainda encontram dificuldades para negociar ou pagar uma dívida que está atrasada há mais tempo, devido aos juros altos que aumentam o custo da dívida, explica Izis Ferreira.

Cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida

Os dados da CNC mostram que o cartão de crédito é a modalidade que mais impacta o orçamento das famílias brasileiras, com uma proporção de 85,5% de consumidores endividados. Em seguida, as principais modalidades de dívida são os carnês (17,1%), crédito pessoal (9,2%), financiamento de carro (7,9%) e financiamento de casa (7,5%).

A pesquisa também revela que o tempo médio de comprometimento com dívidas é de 6,9 meses, enquanto o tempo médio de pagamento em atraso é de 63 dias. Além disso, a parcela da renda comprometida com dívida é de aproximadamente 29,9%.

A CNC estima que a proporção de endividados continue caindo nos próximos meses, atingindo cerca de 77% entre setembro e outubro. No entanto, espera-se que o endividamento volte a aumentar no final do ano, encerrando 2023 próximo a 78% do total de famílias.



*Com informações da Agência Brasil

Redação

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