Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Igreja Perseguida

Após sofrer tortura em prisão, pastor desenvolve lesão cerebral

Pastor no Quirguistão sofreu lesão cerebral traumática e subsequente comprometimento cognitivo após ser vítima de tortura na prisão.

Pastor no Quirguistão sofreu lesão cerebral traumática e subsequente comprometimento cognitivo após ser vítima de tortura na prisão. Foto: Vera Shreider/Forum 18

O pastor Pavel Shreider, líder da Igreja Adventista Reformista Verdadeira e Livre no Quirguistão, sofreu uma lesão cerebral traumática e subsequente comprometimento cognitivo após ser vítima de tortura na prisão, segundo o monitoramento da organização Forum 18.

A condição de Shreider foi confirmada pela própria direção da prisão, que comunicou à família, em 22 de setembro, que ele foi diagnosticado com "lesão cerebral traumática" e "comprometimento cognitivo". A família detalhou que ele desenvolveu encefalopatia (dano cerebral), atribuindo a piora da saúde às más condições prisionais e, principalmente, aos atos de violência.

“Em primeiro lugar, ele é mais velho. O regime prisional não é propício para o movimento ou exercício do corpo e então a circulação sanguínea é ruim. Em segundo lugar, ele provavelmente tem estresse todos os dias devido a sua prisão. E por último, e talvez o mais importante, os policiais o espancaram quando ele foi preso e lhe deram golpes na cabeça”, denunciou a família ao Forum 18.

Após a exigência da família, o pastor foi transferido em 25 de setembro para a Prisão nº 31, uma unidade médica na capital Bishkek.

Tortura e Condenação Injusta

Pavel Shreider foi condenado em novembro de 2024 pelo Tribunal Distrital de Birinchi Maya a três anos de prisão em um campo de trabalho, seguido de deportação para a Rússia. Ele foi falsamente acusado de "incitação à inimizade racial, étnica, nacional, religiosa ou regional" após buscas em sua casa e nas residências de membros de sua igreja.

A tortura sofrida pelo pastor e por outros membros da igreja durante os interrogatórios foi denunciada tanto pela família quanto pelo próprio Shreider. Em uma carta enviada ao Centro Nacional para a Prevenção da Tortura, o pastor relatou:

"Cinco policiais me deram golpes na cabeça, no peito e chutes na coluna por trás, eles me bateram com um cano de ferro para me forçar a confessar que cometi crimes."

Outros membros, como Igor Tsoy, também foram submetidos a tortura com arma de choque para forçá-lo a depor contra o pastor, o que ele se recusou a fazer.

Denúncia da ONU

As sérias alegações de tortura foram reconhecidas e denunciadas por Relatores Especiais da ONU, incluindo Nazila Ghanea, Relatora Especial para liberdade de religião.

Em um documento de julho, os Relatores expressaram preocupação com as "sérias alegações de tortura e maus-tratos" e relataram que Shreider e Igor Tsoy foram "adicionalmente submetidos a estrangulamento com sacos de celofane e uso de tasers [armas de choque]”. Os Relatores solicitaram explicações e informações sobre a saúde de Shreider ao governo do Quirguistão.

Igreja Perseguida

A Igreja Adventista do Sétimo Dia Reforma Verdadeira e Livre não possuía registro no Estado, o que levou ao seu fechamento pelo governo. Em março deste ano, o Tribunal Distrital de Alamudun classificou a denominação como uma organização religiosa "extremista" e proibiu suas atividades em todo o país.

Segundo o Christian Daily International, o Quirguistão é um país onde a perseguição religiosa é uma realidade para os cristãos, ocupando a 47ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Missão Portas Abertas.

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