Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Igreja Perseguida

Com guerra no Sudão, mais de 160 igrejas foram destruídas ou viraram quartéis

Guerra no Sudão amplia a perseguição aos cristãos e deixa milhões de pessoas deslocadas, enfrentando fome e violência.

Guerra no Sudão amplia a perseguição aos cristãos e deixa milhões de pessoas deslocadas, enfrentando fome e violência. Foto: Reprodução/CBN News

A guerra civil no Sudão continua provocando uma das maiores crises humanitárias da atualidade. Desde o início do conflito entre o exército sudanês e as forças rebeldes, milhares de pessoas perderam a vida e milhões foram obrigadas a abandonar suas casas em busca de segurança.

Segundo a CBN News, estimativas apontam que entre 60 mil e 400 mil pessoas morreram desde o início da guerra. Além disso, entre 12 milhões e 14 milhões de sudaneses estão deslocados, enquanto cerca de 20 milhões enfrentam níveis severos de insegurança alimentar.

Cristãos Vulneráveis

Em meio à crise, organizações internacionais alertam que os cristãos estão entre os grupos mais afetados pela violência. Mulheres, crianças e comunidades cristãs enfrentam riscos constantes, incluindo ataques, discriminação e dificuldades para acessar ajuda humanitária.

Segundo Ryan Brown, CEO da missão Portas Abertas nos Estados Unidos, os cristãos frequentemente ficam à margem dos programas de assistência e proteção.

“Quando existe algum tipo de ajuda disponível, os cristãos geralmente são os últimos a recebê-la. Em muitos casos, eles também não são aceitos em locais considerados seguros”, afirmou.

Atualmente, o Sudão ocupa a quarta posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, que reúne os países mais difíceis para os cristãos viverem sua fé.

Igrejas Destruídas e Invadidas

De acordo com dados do Departamento de Estado dos Estados Unidos, mais de 160 igrejas foram danificadas ou destruídas desde o início do conflito.

Diversos templos foram saqueados, ocupados por grupos armados ou transformados em bases militares e depósitos de armamentos.

Na capital Cartum, integrantes das Forças de Apoio Rápido (RSF) invadiram a Igreja dos Mártires durante uma reunião de oração. Segundo testemunhas, os combatentes agrediram os presentes, roubaram pertences e tentaram sequestrar meninas que viviam em um orfanato mantido pela congregação.

O diácono Safein Nazer relatou que os invasores também vandalizaram propriedades da igreja e buscaram objetos de valor no local.

Crescimento da Perseguição

Organizações cristãs afirmam que tanto as forças governamentais quanto grupos paramilitares têm sido acusados de atacar igrejas e confiscar propriedades religiosas.

Além da violência física, cristãos enfrentam discriminação no sistema judiciário, no mercado de trabalho e nas instituições de ensino. Convertidos do islamismo vivem sob constante ameaça de rejeição familiar, isolamento social e perseguição religiosa.

Líderes cristãos também denunciam o fechamento forçado de igrejas, dificuldades para o registro legal de congregações e o aumento das prisões de líderes religiosos.

Liberdade Religiosa

A atual crise é consequência do golpe militar ocorrido em 2021 e da guerra civil iniciada em 2023. Desde então, segundo entidades de defesa da liberdade religiosa, houve retrocessos significativos nas garantias conquistadas após a queda do regime de Omar al-Bashir.

Enquanto o conflito continua sem uma solução definitiva, milhões de sudaneses seguem enfrentando violência, fome e deslocamento forçado. Para as comunidades cristãs, além dos desafios humanitários, permanece o desafio diário de praticar a fé em um ambiente cada vez mais hostil.

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