Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Igreja Perseguida

Membros de igreja na China são libertos, mas líderes continuam presos

Nove membros de uma igreja na China foram libertados após mais de oito meses presos. Líderes seguem detidos e aguardam julgamento.

Nove membros de uma igreja na China foram libertados após mais de oito meses presos. Líderes seguem detidos e aguardam julgamento. Foto: Igreja Zion/ChinaAid

Nove membros da Igreja Zion foram libertados na China após passarem mais de oito meses detidos. A informação foi divulgada pela própria igreja recentemente, que informou que a libertação ocorreu após o encerramento do período máximo de detenção investigativa permitido pela legislação chinesa.

Os cristãos libertados são Sun Cong, Liu Jiang, Li Shengjuan, Wei Yunfei, An Mei, Zhan Ge, Hu Yanzi, Mei Liming e Zhu Mingli. Familiares e integrantes da igreja receberam os fiéis na saída do centro de detenção de Beihai. Segundo relatos, todos apresentavam boas condições físicas e emocionais.

Bob Fu, presidente da organização ChinaAid, que acompanha casos de perseguição religiosa no país, comemorou a libertação. Ele afirmou que o resultado representa uma resposta às orações de cristãos de diversas partes do mundo que acompanharam o caso.

Novas Acusações

Apesar da libertação dos nove membros, outros líderes da Igreja Zion continuam presos. De acordo com a ChinaAid, as autoridades chinesas avançaram com acusações de “operações comerciais ilegais” e “fraude” contra nove líderes da denominação, incluindo o pastor fundador Ezra Jin Mingri.

Os acusados foram encaminhados à Procuradoria Popular do Distrito de Yinhai, em Beihai, onde aguardam o andamento dos processos. Os advogados da igreja ainda não tiveram acesso completo aos documentos da acusação e pretendem apresentar defesa alegando inocência dos líderes.

Apelo as Autoridades

Em nota pública, a Igreja Zion rejeitou as acusações, afirmando que suas atividades de ensino bíblico não configuram atividade comercial ilegal e que as ofertas recebidas são contribuições voluntárias dos membros, sem qualquer prática fraudulenta. A denominação também apelou para que as autoridades respeitem a liberdade religiosa e retirem as acusações.

Início

O caso teve início em outubro de 2025, quando cerca de 30 líderes e membros da igreja foram presos durante operações realizadas em diferentes cidades chinesas. Entre os detidos estava o pastor Ezra Jin Mingri, fundador da Igreja Zion.

Fundada em 2007 com cerca de 20 integrantes, a Igreja Zion cresceu ao longo dos anos e passou a reunir aproximadamente 10 mil membros distribuídos em 40 cidades da China, tornando-se uma das maiores redes de igrejas domésticas do país.

Repressão

Em 2018, a denominação foi proibida pelas autoridades chinesas após se recusar a instalar câmeras de vigilância em sua sede, localizada em Pequim. Desde então, diversas congregações ligadas à igreja têm enfrentado investigações, fechamento de templos e restrições governamentais.

A situação também chamou a atenção de autoridades internacionais. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu a libertação dos líderes presos e criticou a repressão contra cristãos que optam por frequentar igrejas domésticas não registradas pelo governo. Outras lideranças políticas e religiosas também manifestaram preocupação com o caso e defenderam a libertação dos detidos.

Atualmente, a China ocupa a 17ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Missão Portas Abertas, que monitora a situação dos cristãos em países onde há restrições à liberdade religiosa.

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