Em entrevista ao podcast Café com Ferri, o pastor André Fernandes falou pela primeira vez com detalhes sobre os bastidores de sua saída da Igreja Batista Lagoinha Alphaville, onde liderou o campus por três anos e meio. O religioso esclareceu os motivos da transição, respondeu às polêmicas que circularam nas redes sociais e anunciou o novo capítulo de sua vida ministerial à frente da Celeiro House of Prayer, agora com sede fixa em São Paulo.
O encerramento de um ciclo
Segundo Fernandes, o processo de saída teve início em agosto do ano passado, quando sua liderança o aconselhou a redirecionar o foco para um ministério de caráter evangelístico. O pastor destacou o crescimento expressivo do campus sob sua gestão: quando assumiu, a estrutura contava com cerca de 1.000 m² e entre 500 e 600 membros. Ao encerrar o ciclo, o campus havia se expandido para 115 mil m² e registrado mais de 15 mil batismos.
Após meses de divergências estratégicas nos bastidores, o casal — André e sua esposa Quezia — decidiu que o tempo na denominação havia chegado ao fim. Em seu relato, o pastor descreveu um período de crise intensa, no qual chegou a considerar abandonar definitivamente o projeto de plantar uma nova igreja, cogitando servir apenas como pregador itinerante. A virada veio por meio de uma palavra profética recebida de uma pessoa da República Dominicana, que confirmou algo que ele e Quezia haviam conversado em particular — e que funcionou, segundo ele, como uma liberação espiritual para recomeçar.
A polêmica do helicóptero
Um dos pontos mais comentados nas redes sociais durante a transição foi a suposta ligação entre a saída de Fernandes e a compra de um helicóptero avaliado em R$ 4,5 milhões. O pastor foi direto ao abordar o assunto: a aeronave foi adquirida pela própria Lagoinha, em nome da instituição e com recursos da denominação, para facilitar o deslocamento entre os mais de 40 campus que ele coordenava como regional.
Logo após a compra, foi identificado um defeito técnico em uma peça chamada “governador”. Como o vendedor e a empresa responsável pela vistoria pré-compra não reconheceram a falha, os cotistas decidiram suspender temporariamente os pagamentos para forçar uma resolução por via judicial. O impasse foi encerrado com a quitação integral dos valores e a regularização da aeronave junto à ANAC. Para o pastor, o fato de a compra ter sido feita em nome da instituição já evidencia que não havia interesse particular envolvido.
Narrativas e resistências
Fernandes afirmou que, desde fevereiro do ano passado, tem sido alvo do que ele descreve como uma “narrativa construída” para desgastar sua imagem. Para ilustrar o ponto, ele recorreu a um paralelo inusitado: a carreira do piloto Rubens Barrichello na Fórmula 1. Assim como o público julgou o desempenho de Barrichello sem ter acesso ao que acontecia nos bastidores — ordens de equipe, pressões internas e decisões tomadas fora do alcance do espectador —, Fernandes defende que o mesmo ocorre com lideranças ministeriais exponenciais.
Na visão do pastor, o sucesso do evento no Allianz Parque, transmitido em TV aberta, gerou resistências em setores do ambiente eclesiástico. Ele não entrou em nomes nem em acusações diretas, mas afirmou que prefere não travar disputas públicas, confiando que “o tempo fala”.
O Celeiro: de um rancho a 20 mil lugares
O novo ministério começou de forma bastante humilde. Os primeiros encontros aconteceram em um celeiro de madeira de 100 m² no rancho do próprio pastor, com cerca de 80 amigos. O grupo foi crescendo gradualmente até alcançar entre 100 e 150 participantes por reunião. Em novembro do ano passado, o casal oficializou a abertura da Celeiro House of Prayer São Paulo, em um galpão no bairro de Santo Amaro — o mesmo espaço que antes abrigou a Igreja Mundial do Poder de Deus.
Com capacidade para receber 20 mil pessoas, o edifício tem estacionamento para mais de 800 automóveis e área construída de 46 mil metros quadrados. A inauguração oficial aconteceu nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março, marcada pela conferência “Casa Aberta”.
Ao encerrar a entrevista, André Fernandes disse estar em paz com o momento e demonstrou animação com o novo projeto. Para ele, sua “genética ministerial” sempre foi a de criar — fazer com que lugares e situações se tornem melhores depois de sua passagem. O Celeiro, nas palavras do pastor, não é apenas uma igreja, mas um movimento de pessoas apaixonadas por Jesus, comprometidas com a presença de Deus e com o impacto nas cidades.




