O regime islâmico do Irã intensificou a perseguição contra a minoria cristã no país, utilizando-a como alvo estratégico para justificar a instabilidade social. Conforme a organização Barnabas Aid, pelo menos dez cristãos foram detidos recentemente na província de Fars, sob acusações de liderarem protestos e ameaçarem a segurança nacional.
O Contexto das Prisões
As detenções, iniciadas em 4 de janeiro, ocorrem em um cenário de caos civil que se espalhou por todo o país desde o final de dezembro. Relatos locais indicam que o governo iraniano está tentando vincular a comunidade cristã — que já vive sob constante vigilância — às manifestações populares.
- Acusações infundadas: Líderes locais afirmam que o governo busca “culpados” externos e ideológicos para um movimento que, na verdade, nasceu da insatisfação popular e econômica.
- Vigilância extrema: Há relatos de prisões arbitrárias, como a de um fiel detido apenas por conversar com lojistas.
- Narrativa estatal: O Líder Supremo, Ali Khamenei, atribui os distúrbios a influências estrangeiras (como os EUA), rotulando manifestantes de “vândalos”.
Medo e Violência
Pastores de igrejas clandestinas descrevem um ambiente de terror. Autoridades têm realizado buscas de “porta em porta” e invadido residências, alegando que os cristãos fornecem o suporte ideológico para as marchas de rua.
“O governo está desesperado para encontrar um líder para esse movimento sem liderança e considera os cristãos um alvo fácil devido a nossas conexões internacionais”, desabafou um cristão iraniano.
Números da Crise
A repressão estatal tem sido letal. Embora os números oficiais e de ONGs variem, a gravidade é evidente:
- Fatalidades: Estimativas citadas pela Reuters mencionam até 2.000 mortos, incluindo civis e agentes. A ONG Iran Human Rights confirma pelo menos 648 manifestantes mortos.
- Detenções: Mais de 10.000 pessoas foram presas desde o início da onda de protestos.
- Imagens chocantes: Vídeos de necrotérios lotados em Teerã circulam nas redes sociais, evidenciando a escala da tragédia.
Situação Cristã no Irã
O Irã é atualmente o 9º país mais perigoso do mundo para cristãos, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2025 da Missão Portas Abertas. No país:
- Apostasía é crime: Renunciar ao Islã para seguir o Cristianismo é proibido pela Sharia e passível de tortura.
- Proibição total: Bíblias e cultos públicos são banidos.
- Resiliência: Apesar do risco de morte, relatórios como o do Article 18 indicam que a igreja subterrânea continua a crescer de forma acelerada.




