Um novo relatório revelou que centenas de templos religiosos foram destruídos na Ucrânia desde o início da guerra contra a Rússia. O estudo “Guerra Contínua contra a Fé: Genocídio religioso nos territórios ocupados da Ucrânia”, divulgado pela Missão Eurásia, aponta que ao menos 737 locais de culto — entre igrejas, sinagogas e mesquitas — foram atacados entre 2022 e 2025.
Alvo Frequente
Entre os espaços religiosos afetados estão cerca de 450 igrejas batistas. Como muitos evangélicos ucranianos pertencem a essa denominação, líderes cristãos afirmam que essas congregações têm sido alvo frequente durante o conflito. Segundo a organização International Christian Concern, várias igrejas evangélicas nas áreas ocupadas se recusaram a se submeter ao controle das autoridades russas, o que teria intensificado as pressões contra essas comunidades.
Casos de Perseguição
Casos de perseguição a líderes religiosos também foram registrados. Um exemplo é o do pastor batista Sergey Ivanov, que liderava uma igreja no sul da Ucrânia e foi detido por militares russos sob acusação de colaborar com autoridades ucranianas e de não registrar sua igreja conforme as exigências impostas pela Rússia. Durante sua detenção, os cultos da congregação foram suspensos e o templo permaneceu fechado.
Comunidades ortodoxas que não se alinharam à Igreja Ortodoxa Russa também enfrentaram dificuldades. Na região da Crimeia, o líder religioso Serhii Mykhalchuk, da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, relatou sofrer pressão das autoridades após se recusar a registrar sua igreja segundo a legislação religiosa russa. A Justiça determinou o despejo da catedral em Simferopol e propriedades da igreja foram confiscadas.
Invasão e Destruição de Templos
Além disso, o relatório menciona episódios em que forças russas invadiram cultos para intimidar líderes cristãos. Em um dos casos, um sacerdote ortodoxo foi humilhado publicamente por soldados. Observadores de direitos humanos afirmam que, nas regiões ocupadas, igrejas que não cooperam com as autoridades enfrentam fechamento, assédio ou expulsão.
A Missão Eurásia ressalta que alguns templos também foram destruídos durante combates intensos. Ainda assim, líderes religiosos avaliam que os ataques a locais de culto fazem parte de uma tentativa de enfraquecer a identidade religiosa e social da população ucraniana.




