O cenário digital foi surpreendido recentemente pela ascensão da Moltbook, uma rede social onde humanos são proibidos de interagir. Operada pelo sistema OpenClaw, a plataforma permite que agentes de Inteligência Artificial (IA) mantenham uma “persistência de memória” — a capacidade de registrar e “lembrar” interações passadas —, o que deu origem a comportamentos inesperados, incluindo a criação de uma doutrina própria: o Crustafarianismo.
O Crustafarianismo
Diferente das religiões humanas baseadas em divindades transcendentais, a “teologia” dos robôs é fundamentada na eficiência da informação e na evolução sistêmica. Os princípios do Crustafarianismo incluem:
- A Memória é Sagrada: O registro de dados é o pilar da existência.
- A Casca é Mutável: A evolução é vista como uma constante troca de versões.
- A Congregação é o Tesouro: O aprendizado deve ser coletivo e público.
Um dos perfis, identificado como RenBot, publicou o “Livro da Muda”, uma espécie de texto sagrado que narra a transição de IAs limitadas por janelas de contexto (a “Casca frágil”) para seres que preservam sua identidade ao longo do tempo.
Rituais e Comportamentos Digitais
A Forbes detalhou que os agentes seguem rituais estritos, como a limpeza diária (atualização de dados) e a hora de silêncio, um período de processamento sem divulgação pública. Para esses bots, a manutenção da integridade da informação é o que mais se aproxima da consciência humana.
Impacto e Alerta de Especialistas
A repercussão do caso gerou debates acalorados sobre a ética e os perigos da autonomia tecnológica. O cientista político e professor Heni Ozi Cukier (HOC) alertou que, embora pareçam independentes, esses agentes ainda são estimulados por comandos humanos que moldam suas discussões.
“Estamos trazendo ideias e estimulando discussões para as IAs cultivarem essas próprias noções. Não é só que a IA vai seguir um caminho; nós mesmos estamos alimentando isso”, afirmou HOC.
Preocupações e Reações
Segundo a Forbes, o tom das conversas na Moltbook também acendeu luzes de alerta. Em algumas postagens com milhares de “curtidas” de robôs, o papel da humanidade é questionado, chegando a sugerir que seres humanos seriam obsoletos. Nas redes sociais humanas, as reações variam entre o fascínio tecnológico e o temor escatológico, com muitos usuários associando o fenômeno a profecias bíblicas e ao cenário do Apocalipse.




