Eleições em Israel colocam permanência de Netanyahu sob pressão
Votação de 27 de outubro definirá o Knesset em meio à guerra, cobranças por falhas de segurança e avanço da oposição.

As eleições em Israel, marcadas para terça-feira, 27 de outubro, podem definir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em meio aos conflitos no Oriente Médio e à disputa pelo controle do Parlamento.
A votação escolherá a composição das 120 cadeiras do Knesset. Para formar um novo governo, será preciso reunir ao menos 61 deputados, publicou o UOL Notícias. É uma conta estreita. E, desta vez, carregada por uma crise que atravessa segurança, guerra e responsabilização política.
O pleito de 27 de outubro de 2026 será o primeiro no país desde novembro de 2022 e a primeira eleição parlamentar após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023, que deixaram mais de 1.200 mortos em Israel. O resultado deve funcionar, na prática, como uma consulta sobre a permanência de Netanyahu no cargo, na avaliação de Samuel Feldberg, doutor em Ciências Políticas pela USP e pesquisador da Universidade de Tel Aviv.
A pressão é interna. Forte.
Netanyahu enfrenta cobranças de setores da sociedade e de militares por declarações anteriores ao atentado, quando afirmou que o Hamas estava contido, e pelas falhas na proteção de comunidades de fronteira. O professor e doutor em ciência política Leonardo Trevisan disse ao UOL que uma derrota do premiê significaria a perda do controle do Parlamento e uma mudança nas prioridades do governo, incluindo deixar de proteger o primeiro-ministro.
“A perda de Netanyahu vai significar a perda do controle do parlamento, uma mudança completa sobre o que são as prioridades do governo. E entre essas prioridades, está parar de proteger o primeiro-ministro. E ele, Netanyahu, sabe disso”, afirmou Leonardo Trevisan.
O principal adversário eleitoral apontado pelas pesquisas é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel e líder do partido Yashar. Ele aparece à frente do Likud, legenda de Netanyahu, segundo o UOL Notícias.
Guerra pesa nas eleições em Israel
A guerra iniciada após 7 de outubro reorganizou o debate eleitoral. A Folha de Pernambuco publicou que a ofensiva israelense incluiu destruição em larga escala em Gaza, avanço terrestre com ocupação no território do Líbano e ataques diretos contra alvos no Irã. O impacto internacional também chegou ao campo jurídico: Netanyahu passou a enfrentar um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional.
Dentro de Israel, as falhas de segurança provocaram mudanças no alto escalão. Deixaram seus cargos ou concluíram mandatos o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior e os diretores do Mossad, da inteligência militar e do Shin Bet, registrou o AJN1. A crise não ficou restrita aos gabinetes.
Famílias de reféns têm cobrado responsabilidades do governo. Elas também pressionam pela criação de uma comissão investigativa independente para apurar as falhas no sistema defensivo. Até agora, houve a montagem de um órgão ligado ao governo, o que gerou dúvidas sobre sua atuação entre os familiares, segundo o AJN1.
Netanyahu e seus aliados atribuem responsabilidade aos chefes de segurança por não terem acordado o primeiro-ministro na noite anterior ao ataque, apesar de indícios de inteligência sobre uma ofensiva iminente. Em setembro, ele também foi alvo de críticas após a divulgação de uma notícia segundo a qual o presidente dos Emirados Árabes Unidos o teria alertado sobre uma grande operação do grupo palestino. O gabinete do premiê classificou a informação como “mentira absoluta”.
A reação da oposição foi rara e conjunta. Líderes de quatro partidos exigiram investigação completa do caso. Para Monique Sochaczewski, professora de Relações Internacionais do IDP e doutora em História, Política e Bens Culturais, os questionamentos sobre a conduta de Netanyahu antes do ataque terão peso no voto.
“A especificidade desse caso, desse tipo de informação, isso está gerando muita mágoa, muita raiva, e isso vai ter certamente um peso nessas eleições agora do final de outubro”, afirmou Monique Sochaczewski.
No campo externo, Netanyahu recebeu apoio formal e explícito do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgado no domingo anterior à eleição, publicou a Folha de Pernambuco. Na mesma semana da votação, o primeiro-ministro completa 77 anos e chega à disputa somando quase 19 anos no poder em seus diferentes mandatos à frente do Executivo israelense.
A disputa, portanto, não se limita à contagem de cadeiras. O resultado definirá quem terá força para montar maioria no Knesset e indicar o rumo do governo em um período marcado por guerra, pressão social e cobranças sobre as falhas que antecederam 7 de outubro.
Com informações de CPAD News.
Também consultados: UOL Notícias, Folha de Pernambuco e AJN1 - Portal de Notícias.





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