Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Saúde

Em 2021, Brasil registra menor cobertura vacinal dos últimos 20 anos.

Em 2021, Brasil registra menor cobertura vacinal dos últimos 20 anos.


Menor cobertura vacinal dos últimos 20 anos preocupa especialistas

Após uma análise detalhada dos dados de vacinação no Brasil, o Observatório da Atenção Primária à Saúde, uma associação sem fins lucrativos, concluiu que o país atingiu a menor cobertura vacinal em 2021 em um período de 20 anos. A média nacional ficou em 52,1%, o que preocupa a entidade, já que o país sempre foi uma referência mundial em cobertura vacinal devido ao Programa Nacional de Imunização (PNI).

A Umane, associação que tem sede no Brasil e apoia projetos sociais para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros por meio de um sistema público de saúde mais eficiente, atua em parceria com diversos setores da saúde e da sociedade civil.

De acordo com o observatório, a média nacional de cobertura vacinal se manteve acima de 70% entre 2001 e 2015, mas diminuiu para 59,9% em 2016 e vem caindo desde então, chegando aos 52,1% em 2021. Os estados com menor cobertura vacinal que a média nacional chegam a 59,25%, sendo Roraima o estado com a menor abrangência, com apenas 29,9%. Já Tocantins registra a maior taxa, com 61,9%. Na Região Norte, quatro dos sete estados têm cobertura vacinal na faixa dos 30%.

Para a superintendente-geral da Umane, Thais Junqueira, esses números demonstram a necessidade de uma diretriz clara e uma coordenação nacional em relação à imunização, enfatizando a importância dos diferentes tipos de vacinas, do engajamento da população e da orientação técnica em nível estadual e municipal. Thais ressaltou a importância da comunicação nacional e do envolvimento da população, destacando o papel chave que o Ministério da Saúde deve desempenhar nessa mobilização.

Segundo Thais, a retomada das ações de conscientização e divulgação da importância da vacinação pelo Ministério da Saúde, com o apoio do Legislativo, é um sinal importante. Ela destacou que nos últimos anos, durante a pandemia, houve uma queda preocupante no engajamento da população em relação à vacinação.

Além disso, a coordenadora reforçou a importância do acesso à saúde, apontando que problemas de registro e falta de cadastros consistentes interferem nessa questão. Ela defendeu a necessidade de fortalecer a atenção primária para melhorar o acesso à saúde, levando os serviços de saúde até as casas das pessoas e das comunidades, com a atuação dos agentes comunitários de saúde.

Para a coordenadora da Assessoria Clínica do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, Maria de Lourdes Sousa Maia, a baixa cobertura vacinal não tem uma única causa. Ela apontou que a sociedade passa por momentos diferentes que afetam a adesão à vacinação e que a ausência de doenças, devido às altas coberturas vacinais, pode fazer com que as pessoas deixem de se preocupar. Além disso, a disseminação de notícias falsas e a descrença na eficácia da vacina por parte de profissionais de saúde também contribuem para essa queda na cobertura vacinal.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde informou que ampliar as coberturas vacinais é uma prioridade da nova gestão da pasta. Ações estão sendo realizadas para reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS), restabelecer a confiança nas vacinas e promover uma cultura de vacinação no país. O ministério destaca a importância do microplanejamento, que visa melhorar o planejamento das ações de vacinação em parceria com estados e municípios. Recursos financeiros estão sendo destinados para incentivar as iniciativas de multivacinação de crianças e adolescentes em todo o país.

Em resumo, a baixa cobertura vacinal no Brasil é um problema preocupante que requer uma coordenação nacional e esforços conjuntos para conscientizar e engajar a população na importância da vacinação. É essencial fortalecer a atenção primária e melhorar o acesso à saúde, além de combater as fake news e promover a confiança nas vacinas. A ampliação das coberturas vacinais é uma prioridade do Ministério da Saúde, que está adotando estratégias de planejamento e repassando recursos para incentivar a vacinação em todo o país.



*Com informações da Agência Brasil

Redação

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