O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa neste domingo (3) de um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, liderada pelo pastor Silas Malafaia. O encontro marca oficialmente o fim de um período de atrito entre os dois e consolida o alinhamento político do líder evangélico à pré-candidatura do senador para as eleições de 2026.
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O evento vai além de um simples culto: representa um gesto público e simbólico de reconciliação, com peso estratégico direto sobre o eleitorado cristão — um dos segmentos que mais cresce no Brasil e com forte influência nas urnas.
Uma relação que precisava ser reconstruída
A reaproximação entre Flávio Bolsonaro e Silas Malafaia não aconteceu da noite para o dia. Nos últimos meses, o pastor havia demonstrado resistência pública à candidatura do senador. Em janeiro deste ano, Malafaia chegou a afirmar que o nome de Flávio “não empolgava a direita”, sinalizando preferência por uma composição diferente para 2026, que envolveria o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, acompanhado de Michelle Bolsonaro como vice.
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A virada veio no início de abril, durante uma grande manifestação na Avenida Paulista em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio subiu ao trio elétrico e fez elogios públicos ao pastor, reconhecendo sua liderança e importância para o campo conservador. O senador declarou acreditar que o momento político do país faz parte de um “projeto de Deus” — palavras que foram bem recebidas tanto pelo pastor quanto pelos apoiadores presentes.
Aliados do PL interpretaram o discurso como um passo decisivo para a reconstrução da relação, e a agenda no Rio deste domingo é o desdobramento natural desse gesto.
Apoio evangélico como ativo eleitoral
A presença de Flávio Bolsonaro no culto da ADVEC é parte de uma estratégia ampla de consolidação do voto evangélico. Dirigentes do partido avaliam que o movimento pode ser determinante na disputa presidencial, dado o peso desse eleitorado nas pesquisas.
Levantamento do Datafolha realizado em março já indicava que Flávio liderava as intenções de voto entre o eleitorado evangélico com 48%, o dobro do registrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O número reforça uma tendência consistente: o campo conservador cristão tem se movimentado em torno do nome do senador como alternativa para 2026.
Além da ADVEC, a estratégia inclui articulações com outras grandes denominações. Conforme noticiado pela Folha Gospel, o plano envolve cinco frentes simultâneas: Assembleia de Deus Ministério de Madureira, com a filiação do deputado federal Cezinha de Madureira ao PL; Assembleia de Deus Ministério do Belém, onde Flávio foi ungido publicamente pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, que orou pela eleição presidencial do senador; Igreja do Evangelho Quadrangular; e Igreja Universal do bispo Edir Macedo — para a qual um encontro direto está sendo aguardado.
Lula enfrenta distância com os evangélicos
Enquanto Flávio Bolsonaro avança nas articulações com líderes religiosos, o presidente Lula enfrenta dificuldades para estabelecer um diálogo sólido com o segmento evangélico. Embora tenha realizado reuniões com pastores e sancionado o Dia Nacional da Música Gospel em 2024, lideranças religiosas avaliam que o governo não demonstrou abertura suficiente para atender às pautas desse público.
Um episódio recente acirrou o distanciamento: durante o Carnaval deste ano, uma ala da escola de samba Acadêmicos de Niterói apresentou sátiras religiosas e políticas que geraram forte reação entre evangélicos. A situação foi interpretada por líderes do segmento como um sinal de desalinhamento entre o governo e os valores do público cristão conservador.
O significado do culto deste domingo
Para além da política, o culto na ADVEC é um momento de fé, comunidade e afirmação de valores para os membros da congregação. A presença de uma liderança política num contexto de adoração reflete a integração cada vez maior entre fé e cidadania que caracteriza o protestantismo brasileiro contemporâneo.
O encontro marca não apenas o início formal de uma aliança política, mas também um sinal claro de que o eleitorado cristão seguirá sendo um dos protagonistas da disputa presidencial de 2026. Para o pastor Silas Malafaia, ao lado de quem Flávio Bolsonaro estará sentado, é a oportunidade de reafirmar sua posição como uma das vozes mais influentes do campo evangélico nacional.



