O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), publicou nesta sexta-feira (8) um vídeo em suas redes sociais rebatendo declarações da pastora Helena Raquel sobre violência doméstica no meio evangélico. O pronunciamento gerou amplo debate nas redes sociais e ultrapassou 1 milhão de visualizações em poucas horas, reacendendo a polêmica que tomou o cenário cristão brasileiro nas últimas semanas.
Receba nossas atualizações
Malafaia contesta dados e classifica acusações como “falácias”
No vídeo, que pode ser assistido no canal oficial do pastor no YouTube, Malafaia foi direto ao ponto: para ele, as declarações de Helena Raquel sobre pedofilia e encobrimento de agressores dentro das igrejas evangélicas são “falácias” e uma “safadeza” usadas para denegrir a imagem do evangelicalismo brasileiro, especialmente em ano eleitoral.
O pastor também questionou duramente os dados estatísticos citados pela pastora durante o 41º Congresso dos Gideões, realizado em Camboriú (SC), no início de maio. Helena Raquel havia mencionado pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicando que cerca de 42,7% das mulheres evangélicas afirmaram ter sofrido algum tipo de violência por parceiro íntimo. Segundo o Poder360, Malafaia desafiou publicamente a comprovação desse número, chamando a pesquisa de “vagabunda” e sem embasamento científico sério.
Receba as notícias em tempo real!
Pastor afirma que sempre incentivou denúncias
Em resposta às críticas de que lideranças evangélicas protegeriam abusadores, Malafaia foi enfático: ele afirma que incentiva pessoalmente as mulheres de sua congregação a denunciarem maridos agressores e citou exemplos concretos de membros de sua própria igreja que foram denunciados e presos por crimes de abuso sexual e pedofilia.
O pastor também esclareceu um ponto que tem gerado controvérsia nas redes sociais: vídeos antigos de suas pregações estariam sendo utilizados para construir uma narrativa falsa de proteção a pastores abusadores. Segundo Malafaia, essas gravações foram retiradas de contexto, e o sentido original de suas falas é completamente diferente do que tem sido veiculado.
Outro ponto central de sua fala foi a defesa do poder transformador do Evangelho: segundo o pastor, homens que se rendem genuinamente a Cristo deixam para trás comportamentos violentos e irresponsáveis, tornando-se maridos e pais presentes. Para ele, atacar a fé evangélica com estatísticas questionáveis é uma estratégia política que ignora essa realidade vivida por milhões de famílias brasileiras.
Assista ao Vídeo:
O contexto: Helena Raquel e a pregação viral
O embate com Malafaia tem origem numa pregação que viralizou em todo o Brasil. No dia 2 de maio, durante o Congresso dos Gideões em Camboriú, a pastora Helena Raquel fez um apelo direto a mulheres vítimas de violência doméstica, convocando-as a romper o silêncio e formalizar denúncias. A mensagem percorreu igrejas, redes sociais e até portais de notícias fora do meio evangélico, acumulando mais de 6 milhões de visualizações.
Conforme reportagem do Guiame, a pastora foi além do apelo emocional e forneceu orientações práticas, inclusive divulgando os números do Ligue 180 e do Disque 100 para denúncias. Ela também foi direta ao tratar de abuso infantil: “Pedófilo não é ungido, pedófilo é criminoso. Pai e mãe, levantem dessa igreja, vão fazer uma denúncia agora.”
A repercussão positiva da pregação, que recebeu elogios tanto de figuras conservadoras como Michelle Bolsonaro e da senadora Damares Alves, quanto de personalidades progressistas, expôs uma divisão real dentro do próprio campo evangélico sobre como lidar com o tema.
Debate expõe tensões dentro do evangelicalismo
O confronto entre Malafaia e Helena Raquel ilustra uma tensão crescente no interior das igrejas brasileiras. De um lado, lideranças que entendem que o debate público sobre violência doméstica no meio evangélico é necessário e urgente. Do outro, pastores que, como Malafaia, alertam para o que consideram ser uma instrumentalização política dessas pautas com o objetivo de desgastar a imagem da igreja num período de acirrada disputa eleitoral.
O que é inegável é que o tema chegou para ficar. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que 42,7% das mulheres evangélicas relataram alguma forma de violência por parceiro íntimo — o índice mais alto entre os grupos religiosos pesquisados, acima dos 44,3% entre católicas quando se inclui violência psicológica e de controle. São números que exigem uma resposta séria das lideranças cristãs, independentemente das divergências sobre abordagem e metodologia.
Enquanto o debate segue aceso nas redes sociais, o vídeo de Malafaia continua acumulando reações. A polêmica, longe de se encerrar, revela que a igreja evangélica brasileira está diante de um momento de profunda reflexão sobre seu papel no enfrentamento da violência que atinge famílias dentro e fora dos templos.



