O gramado mais famoso da capital americana se transformou em altar neste domingo em um ato de fé que poucos viram igual nas últimas décadas
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O Rededicate 250: A National Jubilee of Prayer, Praise & Thanksgiving tomou conta do National Mall, em Washington D.C., neste domingo, 17 de maio de 2026. Milhares de americanos de todos os estados lotaram o gramado histórico sob calor intenso e chuva passageira. Eles vieram orar, louvar e redededicar a nação a Deus — a 48 dias do aniversário de 250 anos da independência americana.
O evento começou às 10h30 e se estendeu até as 18h. Músicas de adoração ecoaram entre o Capitólio e o Monumento a Washington. O palco, com janelas de vitral em arco e colunas que imitavam prédios federais, exibia os fundadores da nação ao lado de uma grande cruz branca. A mensagem estava clara desde o primeiro momento.
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Um Palco de Fé e Governo
O presidente Donald Trump se dirigiu ao público por vídeo, lendo 2 Crônicas 7:14 — versículo que convida o povo a se humilhar, orar e buscar o rosto de Deus. “Então ouvirei do céu, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”, disse Trump. A escolha do texto não foi aleatória: o versículo é símbolo de reavivamento nacional para os evangélicos americanos.
Além de Trump, discursaram o vice-presidente JD Vance, o Speaker da Câmara Mike Johnson, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio (por vídeo). O evangelista Franklin Graham também enviou mensagem gravada. A diretora de Inteligência Nacional Tulsi Gabbard apareceu igualmente em vídeo pré-gravado.
Por fim, o pastor Samuel Rodriguez, presidente da Conferência Nacional de Lideranças Cristãs Hispânicas, abriu o evento com uma oração marcante. “A batalha não é entre o asno e o elefante”, declarou Rodriguez. “A batalha é entre a serpente e o Cordeiro — e o Cordeiro já venceu.”
Louvor ao Vivo: Chris Tomlin e a Banda da Marinha
O aspecto musical do evento igualmente impressionou. O vencedor do Grammy Chris Tomlin subiu ao palco em um dos momentos mais aguardados do dia. Sua presença transformou o espaço público em uma arena de louvor. Além dele, a Banda dos Marines dos EUA e a Banda da Marinha também se apresentaram, unindo patriotismo e adoração em uma combinação pouco usual.
Cissie Graham Lynch, neta de Billy Graham, resumiu o espírito do evento com precisão. “Por 250 anos, esta nação voltou repetidamente ao Deus que a criou”, ela declarou ao microfone, enquanto a multidão aplaudia. “Fazemos isso não porque somos perfeitos — mas porque cremos que não conseguimos prosseguir sozinhos.”
O pastor Robert Jeffress, da Primeira Igreja Batista de Dallas, foi ainda mais ousado em sua previsão. Segundo ele, o Rededicate 250 pode ser o maior evento religioso nos Estados Unidos em mais de 50 anos.
Controvérsia: Igreja e Estado no Mesmo Palco
Naturalmente, o evento não ficou sem críticas. A organização Americans United for Separation of Church and State descreveu o Rededicate 250 como um “culto governamental” no National Mall. Parlamentares democratas questionaram a estrutura financeira do Freedom 250, o grupo sem fins lucrativos responsável pelo evento, que opera com apoio da Casa Branca.
O rabino Jonah Dov Pesner, da ação Religiosa do Judaísmo Reformista, lembrou que a América sempre foi pluralista. “Quero iluminar a história da América como uma nação que acolhe e protege pessoas de todas as fés”, afirmou. Nota-se que, entre todos os líderes religiosos na programação, apenas um — o rabino ortodoxo Meir Soloveichik — não era cristão.
Historiadores também contestaram a premissa central do evento. O professor Gregg Frazer, do The Master’s University, argumentou que os Fundadores não pretendiam criar uma nação cristã, mas sim garantir que a religião tivesse influência pública — sem necessariamente ser o cristianismo.
O Significado de uma Nação que Ora
O Rededicate 250 surgiu de um anúncio de Trump no Café da Manhã Nacional de Oração, em fevereiro de 2026. Na ocasião, o presidente recebeu uma ovação de pé ao declarar: “Vamos redededicar a América como Uma Nação sob Deus.” Desde então, o evento tomou proporções históricas.
O Freedom 250, organização responsável, é uma parceria público-privada ligada à Fundação do Parque Nacional. Sua missão é coordenar as celebrações dos 250 anos da independência, que culminam em 4 de julho de 2026. O Rededicate 250 foi o primeiro grande ato dessas celebrações — e certamente o mais carregado de simbolismo religioso.
Para os fiéis que percorreram centenas de quilômetros para chegar a Washington, porém, debates políticos ficaram em segundo plano. “Não acredito que haja algo mais importante que esteja fazendo hoje em toda a minha vida”, disse Parish Clinton, veterano de guerra do Mississippi, à saída do evento. “Somos uma nação perdida sem Deus.”
Sob o calor de maio, entre cânticos e orações, o National Mall viveu neste domingo um encontro singular entre fé, poder e história — que certamente reverberará muito além das comemorações do Bicentenário.



