Dois pastores detidos na China receberam autorização para ter acesso à Bíblia na prisão após uma rara decisão favorável das autoridades chinesas. A conquista ocorreu depois que o advogado cristão Yang Hui entrou com uma ação administrativa contestando as restrições impostas aos detentos cristãos.
Receba nossas atualizações
Em resposta oficial, as autoridades permitiram que o advogado entregasse exemplares das Escrituras aos pastores Ezra Jin Mingri e Sun Cong, líderes da Igreja Zion que estão presos em um centro de detenção na cidade de Beihai. O acesso a materiais religiosos costuma ser severamente limitado nas prisões chinesas, sob justificativas ligadas à segurança e à administração penitenciária.
Segundo a organização cristã ChinaAid, a decisão representa um precedente importante para outros cristãos encarcerados no país. O fundador da entidade, Bob Fu, afirmou que a autorização estabelece uma base legal que poderá ser utilizada por familiares e advogados para solicitar o envio de Bíblias a outros presos cristãos.
Receba as notícias em tempo real!
Igreja Doméstica Sob Pressão
Os pastores fazem parte da Igreja Zion, uma das maiores redes de igrejas domésticas da China. Em outubro de 2025, cerca de 30 líderes da congregação foram presos durante operações realizadas em diversas cidades chinesas.
O governo chinês mantém rígido controle sobre as atividades religiosas e exige que os cristãos frequentem apenas igrejas reconhecidas pelo Estado. Por esse motivo, igrejas domésticas independentes frequentemente enfrentam fiscalização, fechamento de templos e detenções de líderes.
Atualmente, 18 líderes da Igreja Zion continuam detidos em Beihai, incluindo o pastor Ezra Jin Mingri. Fundada em 2007, a igreja cresceu de um pequeno grupo de 20 membros para uma rede com aproximadamente 10 mil fiéis espalhados por dezenas de cidades chinesas.
Apelos Internacionais
A prisão dos líderes gerou repercussão internacional. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu a libertação dos detidos e criticou a repressão contra cristãos que optam por congregar em igrejas não registradas pelo governo.
Outras lideranças políticas americanas, incluindo Mike Pence e Mike Pompeo, também condenaram as prisões.
A Igreja Zion já havia sido alvo das autoridades em 2018, quando foi proibida de funcionar após se recusar a instalar câmeras de vigilância em sua sede em Pequim. Desde então, diversas filiais da rede enfrentam investigações e restrições por parte do governo chinês.
De acordo com a Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, a China permanece entre os países onde os cristãos enfrentam maiores desafios para praticar livremente sua fé.



