Quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Igreja Perseguida

Líderes desmentem que cristãos na Nigéria sejam mortos por disputa de terras

Líderes desmentem que cristãos na Nigéria estão sendo mortos por disputa de terras e denunciam avanço de perseguição no país.

Líderes desmentem que cristãos na Nigéria estão sendo mortos por disputa de terras e denunciam avanço de perseguição no país. Foto: Reprodução/Baptist Press

Líderes cristãos e especialistas em direitos humanos na Nigéria apresentaram um alerta contundente sobre a crescente violência no país, afirmando que a motivação religiosa é o motor central dos ataques. Em conferência organizada pela Portas Abertas Internacional, os palestrantes refutaram a tese de que os confrontos seriam apenas disputas territoriais entre agricultores e pastores, classificando a situação como uma perseguição sistemática à fé cristã.

A Crítica ao Governo e à Narrativa Internacional

Conforme os relatos, a declaração de "estado de emergência" feita pelo presidente Bola Ahmed Tinubu em novembro é vista como uma medida superficial — uma "cortina de fumaça" que não aborda a raiz do problema.

O grupo também contestou a narrativa que tenta equiparar o sofrimento de cristãos e muçulmanos no país. Segundo os palestrantes, embora a violência afete a nação na totalidade, as comunidades cristãs são alvos específicos e desproporcionais de grupos extremistas.

Dados Alarmantes de Violência

Especialistas como o advogado Jabez Musa e o jornalista Stephen Kefas apresentaram números que sustentam a gravidade do cenário:

  • Vítimas do Boko Haram: Estima-se que mais de 50 mil cristãos tenham sido mortos pelo grupo no nordeste da Nigéria nos últimos 15 anos.
  • Dados Globais: Segundo a Portas Abertas, dos 4.476 cristãos mortos por sua fé no mundo em 2024, cerca de 3.100 (quase 70%) estavam na Nigéria.
  • Histórico de Longo Prazo: A organização Genocide Watch registrou a morte de pelo menos 62 mil cristãos entre os anos 2000 e 2020 devido à intolerância religiosa.

"A Terra é o que menos importa"

O deputado federal Terwase Orbunde e outros líderes reforçaram que a ocupação de terras é uma consequência, não a causa primária. Eles destacam que:

  1. Convivência Pacífica: Por décadas, cristãos e pastores Fulani conviveram sem conflitos armados até a ascensão de ideologias extremistas.
  2. Datas Religiosas: Os ataques são frequentemente planejados para ocorrer em datas como Natal e Páscoa, visando maximizar o dano às comunidades em celebração.
  3. Alvos Específicos: No Cinturão Médio e no Norte (onde vigora a Sharia), igrejas são destruídas e vilarejos cristãos são dizimados, enquanto comunidades vizinhas de outras fés costumam ser poupadas.

Grupos Extremistas em Ascensão

Segundo o Baptist Press, além do conhecido Boko Haram e do Estado Islâmico (ISWAP), novos grupos e facções dos extremistas Fulani — agora equipados com armas de guerra — têm espalhado o terror. Para Jabez Musa, o ódio ao cristianismo está ligado à visão desses grupos de que a religião representa a "cultura ocidental", a qual eles buscam erradicar.

O jornalista Stephen Kefas, que já foi preso político e pesquisou mais de 70 vilarejos, concluiu que a evidência documental é inegável: "Por mais que se queira ser conservador na análise, não se pode ignorar o que os cristãos estão sendo caçados por sua fé".

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