Após protesto, pastor é proibido de retornar a Embaixada da China
Patrick Mahoney responde a acusação de invasão de propriedade após ato em frente à Embaixada da China, em Washington.

O reverendo Patrick Mahoney, ativista cristão e líder da Christian Defense Coalition, foi proibido pela Justiça de retornar à calçada pública em frente à Embaixada da China, em Washington, enquanto responde a uma acusação criminal por “unlawful entry”, equivalente a entrada ilegal ou invasão de propriedade.
A ordem foi emitida durante audiência no Tribunal Superior do Distrito de Columbia, informou o The Christian Post. Mahoney participou por telefone, a partir de Idaho, e declarou-se inocente. A próxima audiência foi marcada para 20 de novembro.
“Claro, eu me declarei inocente”, escreveu ele no Facebook. “Primeiro, um juiz emitiu uma ordem de afastamento dizendo que eu não posso voltar à calçada pública até que o caso seja decidido. Depois, eles decidiram seguir com as acusações criminais contra mim.”
O caso começou após um protesto em frente à representação diplomática chinesa. Curto. Visível. Com oração, cartazes e uma faixa vermelha colocada no chão, descrita por Mahoney como semelhante a um tapete.
Segundo o Christianity Daily, a manifestação e a prisão pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos ocorreram em 28 de setembro de 2026. Mahoney permaneceu cerca de cinco horas em uma cela antes de ser formalmente autuado por contravenção.
Acusação Constestada
Mahoney disse que o protesto foi realizado em repúdio à recepção e ao jantar de Estado oferecidos pelo governo dos EUA ao presidente chinês Xi Jinping. Ele afirmou que ficou “profundamente preocupado” ao ver o governo norte-americano “estender o tapete vermelho” a um líder que, nas palavras dele, esmaga direitos humanos, liberdade de expressão e dissidência política.
A faixa usada no ato trazia nomes de pessoas e grupos perseguidos pelo governo chinês. Entre eles estavam o empresário de mídia Jimmy Lai, moradores de Hong Kong, praticantes do Falun Gong e uigures. A Premier Christian News registrou que o protesto também mencionava líderes religiosos e ativistas, incluindo pastores da Zion Church.
Durante a abordagem, Mahoney gravou uma declaração em vídeo. “Eu estive aqui dezenas de vezes. É trágico que eu esteja sendo tratado como um cidadão chinês. Este é um dia triste na América, quando um cidadão americano, um clérigo, que está orando em uma calçada pública na América, é preso por celebrar a Primeira Emenda”, afirmou.
Mahoney disse que diplomatas chineses saíram da embaixada visivelmente irritados e pediram ao Serviço Secreto que retirasse os manifestantes do local. Ele relatou que, depois de conversar com os diplomatas, um agente afirmou que o governo chinês dizia que aquela calçada pertencia à China.
O pastor se recusou a sair. Segundo seu relato, ele respondeu ao agente que a área era uma calçada pública e que, nos Estados Unidos, cidadãos têm o direito de expressar pacificamente suas posições em praça pública, sem intimidação ou prisão.
O American Center for Law and Justice, que assumiu a defesa formal de Mahoney, afirmou que já havia enviado advertências por escrito ao Serviço Secreto dos EUA para destacar que a calçada não é propriedade do governo chinês e está protegida pela Primeira Emenda da Constituição americana.
“O reverendo Mahoney estava violando leis? Não. Estava promovendo tumulto? Não. Estava destruindo algo ou ameaçando alguém? Não. Ele estava segurando cartazes e tinha cartazes no chão. Em uma calçada pública”, disse Jordan Sekulow, diretor-executivo do ACLJ.
Sekulow também afirmou que a defesa contestará a acusação em tribunal. “Isso pode ser como as coisas funcionam na China, mas isto não é a China. Isto é a América”, declarou.
Mahoney chamou os desdobramentos de “muito decepcionantes e preocupantes”. Ele disse que continuará contestando o caso e afirmou que foi preso por seu próprio governo enquanto demonstrava e orava em uma calçada pública.
Ministro presbiteriano norte-americano e diretor da Christian Defense Coalition, Mahoney tem um histórico longo de ativismo. A Premier Christian News informou que ele foi detido e deportado pela polícia chinesa em 2008 após protestar na Praça da Paz Celestial, em Pequim, e que também foi líder nacional da organização Operation Rescue.
Ele nunca havia sido preso em frente à Embaixada da China, mas já foi detido ao menos 112 vezes ao longo de décadas de militância pública.
Com informações de The Christian Post.





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