Kirk Franklin expõe falhas e responde a críticas em novo álbum
Cantor gospel de 56 anos aborda saúde mental, erros do passado e a graça de Deus no projeto "I Am What I Am".

O cantor gospel Kirk Franklin lançou o álbum "I Am What I Am" no último dia 30 de outubro, um projeto no qual expõe seus erros familiares e sua mudança de visão sobre a fé. Em entrevista ao The Christian Post, o artista de 56 anos detalhou como passou grande parte da vida com medo de Deus. Ele acreditava que cada erro atrairia uma punição divina. A música se tornou seu refúgio inicial, mas acabou ganhando prioridade sobre as pessoas que ele mais amava.
Franklin explicou que não teve pais que dissessem que o amavam e encontrou esse afeto na música. O artista, que tem quatro filhos com a esposa Tammy, admitiu não ter equilibrado bem a carreira com reuniões escolares e noites em família. A faixa de abertura do novo projeto, "Free Me Tonight", aborda essas falhas diretamente. A letra cita as tensões na relação com seu filho e a forma como a carreira afastou sua família.
"Lamento que as falhas que vocês leem sobre o rei Davi, vocês tenham a chance de ver em tempo real no Kirk"
, disse o cantor. Ele afirmou que não tem interesse em se apresentar como um homem que resolveu todos os seus problemas, mas quer reconhecê-los. O artista pontuou que hoje se sente mais confortável consigo mesmo. "Estou mais velho e mais livre agora", declarou.
Kirk Franklin e As Críticas na Igreja
A nova percepção de liberdade fez o cantor repensar o que aprendeu na cultura da igreja negra americana, especialmente nos movimentos pentecostais. Ele relatou que o foco histórico muitas vezes estava no que não se podia fazer. "É quase como se você se sentisse culpado por reconhecer a felicidade e a liberdade", afirmou. Ele questionou a ideia de que um cristão precisa estar sempre sofrendo para provar sua fé.
Recentemente, o artista enfrentou críticas por colaborar com a rapper secular GloRilla na música "This Time". Alguns cristãos questionaram se o trabalho conjunto comprometeria a mensagem do Evangelho. O cantor disse entender as preocupações e o direito bíblico ao julgamento, mas questionou a crueldade que às vezes acompanha essas opiniões. Ele lembrou que a própria GloRilla lhe perguntou por que alguns cristãos não aceitam que ela participe de uma música de louvor.
O debate repete a reação que o cantor enfrentou em 1997 com o sucesso "Stomp". Quase três décadas depois, ele vê pouca mudança na discordância sobre estilos musicais no meio gospel. "Você realmente não tenta lutar contra isso. Você apenas permite que as pessoas descansem onde estão", disse.
Saúde mental e a Graça de Deus
O álbum "I Am What I Am" também trata de saúde mental na música "It Gets Better", que tem a participação do rapper Toby Nwigwe. Franklin, que já falou publicamente sobre ansiedade e depressão, pediu atenção ao tema dentro das congregações. "Algumas coisas você não resolve necessariamente orando. Algumas coisas precisam de remédio. Algumas coisas precisam de aconselhamento", afirmou.
O artista defendeu que os cristãos não devem ser envergonhados por buscar ajuda médica. Ele pediu espaços saudáveis onde a fragilidade e a fé possam se encontrar dentro da igreja.
A mensagem central do novo trabalho retorna à graça de Deus. Franklin explicou que viveu muito tempo com uma mentalidade baseada em desempenho, achando que precisava fazer tudo certo para ser abençoado. Hoje, ele entende que o temor a Deus deve ser respeito, e não o pavor de ser punido a cada passo. "Espero que isso possa libertar outra pessoa que foi criada nesses ambientes, porque é um lugar difícil para construir um relacionamento íntimo quando você tem medo de alguém", declarou o cantor.
Com informações de The Christian Post.





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