Há nove anos, os missionários brasileiros Lucas e Juliana Oliveira embarcaram em um desafio extremo: viver em um dos países mais frios e isolados do mundo para pregar o Evangelho. Enviados pela Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT), eles e seus três filhos atuam na Mongólia, país que integra a Janela 10/40, região do globo com o menor alcance do cristianismo.
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O Desafio de Alcançar os Nômades
O foco principal da família Oliveira é a população nômade da Mongólia, um grupo de aproximadamente 1,2 milhão de pessoas (um terço da população do país). O trabalho missionário nesse contexto enfrenta barreiras complexas:
- Migração Constante: As famílias não vivem em comunidades fixas, mudando-se frequentemente de acordo com as condições do clima e das pastagens.
- Isolamento e Clima: O acesso às regiões montanhosas é difícil e o clima extremo torna as viagens longas e perigosas.
- Barreira Linguística e Cultural: A dinâmica da vida nômade dificulta a criação de uma rotina tradicional de encontros e discipulado presencial.
A Estratégia da “Igreja Móvel”
Para contornar o isolamento e a constante movimentação do povo, Lucas e Juliana adotaram uma solução inovadora: transformaram um caminhão em uma casa e igreja móvel.
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- Acompanhando os Acampamentos: O veículo permite que a família viaje com os nômades. Ao chegarem aos acampamentos, eles montam uma grande tenda que funciona como residência e local de culto.
- Relacionamento Prático: A evangelização acontece no dia a dia. Os missionários ajudam no pastoreio dos animais, inserindo-se na rotina local.
- Recursos Audiovisuais: Para superar as barreiras de leitura, eles utilizam Bíblias em áudio e vídeos evangelísticos, método que tem se mostrado altamente eficaz.
- Frutos do Trabalho: Atualmente, a congregação itinerante conta com 10 famílias nômades. Em 2024, as viagens missionárias se expandiram para outras regiões montanhosas, alcançando também a etnia Tuvan, que já conta com duas famílias convertidas.
Resistência Espiritual e Sustento
Apesar de a Mongólia ter liberdade religiosa, os cristãos representam menos de 1% da população. A cultura local é fortemente enraizada no budismo e no xamanismo, gerando grande resistência.
Segundo Lucas, a pressão sobre os novos convertidos é intensa. Familiares e amigos ameaçam frequentemente os cristãos, alegando que a nova fé trará doenças e maldições dos espíritos locais. Isso exige dos missionários um acompanhamento pastoral focado no encorajamento e na perda do medo.
Segundo o guiame, além dos desafios espirituais, há a questão burocrática e financeira. Para manterem seus vistos regulares no país, Lucas e Juliana abriram um café local. O empreendimento demanda tempo e equilíbrio, mas funciona como fonte de sustento e uma porta aberta para a comunidade.



