Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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Seis jovens cristãos no Egito continuam em prisão após vídeo no TikTok

Rapazes de 17 a 23 anos foram acusados de blasfêmia e de ofensa ao Islã por recriarem cena de comédia egípcia.

Seis jovens cristãos são presos no Egito após vídeo no TikTok
Foto: Reprodução/Guiame

Após serem presos, seis cristãos no Egito ainda permanecem sob custódia desde outubro, após publicarem no TikTok um vídeo considerado ofensivo ao Islã pelas autoridades, segundo o Guiame. Eles foram acusados de blasfêmia, desprezo pela religião e uso da religião para disseminar ideias extremistas.

Os jovens têm entre 17 e 23 anos. A ADF International afirma que eles são de Ezbet Tanious, na aldeia de Taha al-Aamida, distrito de Samalout, na província de Minya, no sul do Egito.

O vídeo foi publicado em 4 de outubro. Era uma recriação de uma cena do filme egípcio de comédia Khalawis, lançado em 2018, na qual detentos tentam realizar uma oração muçulmana sem conhecer os versículos do Alcorão necessários.

A gravação saiu do ar poucas horas depois. Os jovens disseram aos promotores que fizeram o vídeo por impulso e apagaram a publicação após serem alertados por amigos sobre possíveis consequências.

Mas a crise continuou. A Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa informou que um morador republicou a gravação com comentários de condenação, o que levou a mensagens hostis contra os seis, suas famílias e cristãos da comunidade.

Alguns usuários pediram que o Ministério do Interior prendesse os jovens. Outros incentivaram violência contra eles e seus parentes. Moradores também fizeram denúncias às autoridades.

Segurança do Estado

Em 6 de outubro, familiares e representantes da igreja levaram cinco dos jovens à delegacia de Samalout. A medida buscava conter o aumento das tensões entre muçulmanos e cristãos no povoado.

Relatos reunidos pela entidade apontam que a polícia prometeu libertá-los quando a situação se acalmasse. O sexto jovem havia se escondido, mas se apresentou depois que sua mãe foi presa em seu lugar.

Três dias depois, em 9 de outubro, líderes comunitários, representantes do Ministério de Doações Religiosas e padres da Diocese de Samalout participaram de uma sessão tradicional de reconciliação. Na reunião, a diocese apresentou um pedido formal de desculpas aos moradores muçulmanos.

Mesmo assim, o caso foi encaminhado à Suprema Procuradoria de Segurança do Estado. O processo tramita sob o número 8430 de 2026.

Os interrogatórios começaram em 10 de outubro. Primeiro, procuradores determinaram quatro dias de detenção enquanto as investigações avançavam. No domingo seguinte, 11 de outubro, um magistrado do tribunal de Tagamoa prorrogou a custódia por mais 15 dias, informou o The Christian Post.

A acusação formal sustenta que o vídeo zombava da oração muçulmana. A defesa das organizações de direitos humanos aponta outro ponto: a mesma cena circula amplamente na plataforma.

A Iniciativa Egípcia para os Direitos da Pessoa declarou que centenas de vídeos no TikTok reproduzem o trecho do filme com a mesma trilha sonora. Para o grupo, uma publicação de comédia na internet não justifica a prisão.

O filme Khalawis continua sendo exibido em canais de televisão via satélite e recebeu aprovação dos censores estatais antes das filmagens. Esse dado foi citado pelas entidades como parte do questionamento à base da acusação.

Kelsey Zorzi, conselheira sênior e vice-presidente de Advocacia Internacional da ADF, afirmou que o caso se repete em um contexto de pressão contra cristãos no país.

“Isso é tragicamente comum no Egito, onde os cristãos enfrentam ameaças, discriminação e, em última instância, prisão por discursos que são considerados problemáticos apenas por não fazerem parte da religião majoritária”, disse.
“Esses jovens não fizeram nada além de compartilhar um vídeo descontraído com narração de um filme popular e sem controvérsias, como muitos outros já fizeram na plataforma. Não há motivo para acusá-los ou prendê-los”, acrescentou.

A organização também pediu que as autoridades libertem os seis jovens e encerrem as investigações contra eles. A ADF afirma ter registrado pelo menos 111 casos de pessoas detidas no Egito por expressarem crenças religiosas.

No país, os cristãos representam aproximadamente 10% a 15% da população. Embora a Constituição egípcia proteja a liberdade religiosa, leis que criminalizam blasfêmia e insultos à religião seguem em vigor.

O Egito aparece na 42ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2026, da missão Portas Abertas, que acompanha países onde cristãos enfrentam maior dificuldade para viver a fé.

Com informações de Guiame.

Também consultados: Egyptian Initiative for Personal Rights (EIPR), Alliance Defending Freedom (ADF International) e The Christian Post.

 

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