Lula mira evangélicos e gamers a 11 dias do 2º turno
Presidente assinou decreto para jogos eletrônicos e divulgou carta a famílias evangélicas em meio à disputa com Flávio Bolsonaro.

A Carta aos Evangélicos voltou ao centro da campanha de Lula nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, no mesmo dia em que o presidente assinou, no Palácio do Planalto, o decreto que regulamenta o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos no Brasil.
Segundo o SBT News, os movimentos fazem parte de ações direcionadas a grupos específicos do eleitorado, a onze dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. A emissora informou que a nova carta mira temas como bets, jornada de trabalho, segurança e saúde.
É cálculo eleitoral claro.
Lula tenta se aproximar de um público onde enfrenta resistência. No campo evangélico, a disputa tem sido difícil para o petista, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, do PL, aparece com força nesse segmento, conforme avaliações citadas na cobertura televisiva.
O gesto repete uma estratégia usada na campanha de 2022. Agora, em 2026, chega junto de outras medidas voltadas a fatias específicas da sociedade: microempreendedores individuais, jovens ligados à tecnologia e produtores de jogos digitais.
Carta aos Evangélicos entra na disputa por famílias de fé
O Correio Braziliense registrou que a carta de Lula aos evangélicos trata de pautas de família, da defesa do fim das bets e do fim da jornada na escala 6x1. São temas sensíveis para igrejas, trabalhadores e lares brasileiros.
Para o eleitor cristão, promessas em período eleitoral precisam ser avaliadas com sobriedade. A fé bíblica valoriza família, trabalho honesto, responsabilidade pessoal e proteção contra práticas que exploram a fragilidade das pessoas. O debate sobre apostas eletrônicas, nesse sentido, toca um ponto real da vida de muitas casas.
Sem romantizar política.
A tentativa de aproximação ocorre na mesma semana em que Lula anunciou medidas para os MEIs. Esse grupo é formado por cerca de 18 milhões de brasileiros e também virou alvo da campanha.
A Revista Veja publicou que o pacote para microempreendedores inclui o pagamento de um auxílio de R$ 5 mil, sem necessidade de contrapartida. Para quem trabalha, paga imposto e tenta manter um pequeno negócio de pé, qualquer ação estatal em ano eleitoral levanta uma pergunta legítima: ajuda a produzir liberdade ou aumenta dependência?
Decreto regulamenta setor de games
No evento no Planalto, Lula assinou o decreto que regulamenta o Marco Legal dos Jogos Eletrônicos. O g1 informou que a lei havia sido sancionada em 2024 e aguardava regulamentação.
O decreto recebeu o nome de Desenvolve Gamers Brasil e regulamenta a Lei nº 14.852/2024. A medida estabelece ações para financiamento, inovação, formação profissional e maior presença dos jogos brasileiros no mercado nacional e internacional.
Durante a cerimônia, Lula afirmou: “O Brasil não pode se limitar a ser um grande mercado consumidor de jogos criados em outros países. Temos condições de criar, desenvolver, financiar, exportar nossos produtos, gerando empregos qualificados, renda e inovação”.
A fala tem peso econômico. O Brasil é grande consumidor, mas o setor produtivo quer espaço para criar, vender e competir. Quando o ambiente favorece empreendedores, tecnologia e exportação, o país ganha mais do que discurso.
O plano prevê cursos superiores de jogos eletrônicos em cinco universidades federais, contemplando as cinco regiões do país. Ao todo, serão 230 vagas, como publicou a Revista Veja.
Também está prevista a criação da plataforma pública e gratuita Game Brasil, voltada a catalogar e divulgar jogos produzidos no país. A iniciativa deve reunir informações sobre os títulos nacionais, seus desenvolvedores e os locais onde podem ser encontrados.
A Veja informou que, a princípio, devem ser investidos R$ 1,4 milhão nessa plataforma. O governo também anunciou chamada pública para apoiar startups de tecnologia e linhas de crédito com juros reduzidos para empresários do setor.
Dinheiro público exige vigilância.
A Ancine apresentará ao Fundo Setorial do Audiovisual uma proposta para reduzir o valor mínimo de financiamento para empresas de games de R$ 500 mil para R$ 150 mil. A taxa de juros passaria de Taxa Referencial mais 2% ao ano para TR mais 0,5% ao ano.
Para 2026, o FSA prevê R$ 460 milhões em crédito para o setor audiovisual, incluindo a indústria de jogos eletrônicos. O decreto também abre caminho para que projetos captem investimentos por meio da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, declarou: “Game é cultura, game é audiovisual”. Ela celebrou a inclusão do setor nas ferramentas oficiais de incentivo cultural.
Na cerimônia, Lula disse ainda que governar envolve ouvir a capacidade criativa da sociedade. Também afirmou que o Estado brasileiro passa a ter uma política de game e pediu organização ao setor para que a regulamentação seja preservada.
O presidente aproveitou o evento para se comunicar com o público jovem. A cobertura destacou imagens de Lula jogando videogame e uma estratégia de comunicação mais acessível, adotada na reta final da disputa.
A campanha também elevou o tom contra grandes plataformas digitais e procurou a Organização dos Estados Americanos. O argumento apresentado é que ferramentas da Meta favoreceriam conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro e não fariam o mesmo com Lula.
No Senado, outro ponto observado pelo presidente era a votação do fim da escala 6 por 1. Lula acompanhava a movimentação no Palácio da Alvorada, enquanto aliados deixavam em aberto a possibilidade de sua ida ao Senado.
O eleitorado evangélico entra nessa reta final diante de muitos acenos. Alguns falam à fé. Outros falam ao bolso. Outros ainda falam à juventude conectada. Cabe ao cidadão cristão examinar propostas, resultados e coerência pública, sem terceirizar a própria consciência.
Com informações de SBT News (YouTube).
Também consultados: G1, Revista Veja e Correio Braziliense.




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