Evangélicos brancos seguem como base republicana nos EUA
Grupo mantém apoio majoritário a Donald Trump, apesar de queda nas pesquisas, e pode pesar em disputas pelo Senado.

Os evangélicos brancos continuam no centro da estratégia eleitoral conservadora nos Estados Unidos, mesmo com a queda na aprovação de Donald Trump antes das eleições de meio de mandato de 3 de novembro de 2026. O Valor Econômico tratou o grupo como esteio do eleitorado conservador norte-americano.
O peso político desse segmento aparece nos números. Dados do PRRI e do Pew Research Center, citados pela Reuters, indicam que os evangélicos brancos são cerca de 13% dos adultos dos EUA, mas formaram quase um terço da coligação vitoriosa de Trump em 2024. Mais de 80% deles votaram no republicano nas três campanhas presidenciais dele.
O apoio, porém, recuou. Pesquisas Reuters/Ipsos divulgadas pelo Plantão Paulista apontam que a aprovação de Trump entre evangélicos brancos caiu de 77% em janeiro de 2025 para 63% em outubro de 2026. Ainda assim, é o único grupo demográfico relevante acompanhado pelo levantamento, em que o índice permanece acima de 60%.
No eleitorado geral dos Estados Unidos, a aprovação do presidente caiu de 47% para 31% no mesmo período. A diferença ajuda a explicar por que a mobilização desse público é tratada como peça importante para os republicanos mantiverem força no Congresso.
Evangélicos Brancos e a Disputa no Senado
As eleições de meio de mandato renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Também incluem cargos estaduais e locais. O resultado pode mudar o controle legislativo e afetar a capacidade do presidente de aprovar sua agenda.
Na Carolina do Sul, a disputa por uma cadeira no Senado ganhou atenção. A republicana Darline Graham enfrenta a democrata Annie Andrews. Um levantamento do Trafalgar Group colocou Andrews a três pontos percentuais de Graham.
Darline Graham assumiu a vaga após ser nomeada pelo governador estadual, depois da morte de seu irmão, o ex-senador Lindsey Graham. Em agosto, ela derrotou por margem estreita o deputado federal Ralph Norman nas primárias republicanas. Trump declarou apoio à candidatura dela.
A corrida, antes vista como mais segura para os republicanos, passou a ser acompanhada de perto. A fidelidade eleitoral dos evangélicos brancos também é considerada relevante em disputas decisivas no Senado em Iowa e no Kansas. O quadro contrasta com o dos protestantes negros, que mantêm preferência expressiva pelo Partido Democrata.
Sermão em Igreja da Carolina do Sul
Em Blythewood, na Carolina do Sul, a Village Church reuniu centenas de pessoas em um sermão semanal chamado “Bíblia e Política”. O pastor Erik Estep não declarou apoio a candidatos, mas pediu que os fiéis avaliassem a política por uma perspectiva bíblica.
“Acredito que a igreja é o baluarte da verdade para nossa nação. E serão necessárias pessoas como vocês e igrejas como esta para proteger esta nação espiritual e moralmente.”
A frase foi dita por Estep durante a mensagem aos fiéis. O tema mostra como pautas religiosas e sociais seguem presentes no debate eleitoral local, em especial entre conservadores.
Karen Whiting, executiva aposentada do setor farmacêutico, de 72 anos, afirmou que pretende votar em Darline Graham. Ela citou preocupações com diretrizes de gênero no esporte feminino e disse orientar sua escolha por princípios religiosos.
“Estou votando em favor dos princípios bíblicos e não acredito que o Partido Democrata defenda esses princípios.”
Annie Andrews, adversária democrata, afirmou em anúncio de campanha que se opõe à participação de mulheres transgênero em esportes femininos e a cirurgias de afirmação de gênero para menores de idade. Ela também disse ter conversado com pessoas de diferentes religiões, posições políticas e origens em igrejas evangélicas.
Para o sociólogo Robert Jones, especialista em nacionalismo cristão, a defesa de pautas conservadoras e de restrições migratórias tem pesado mais para esse eleitorado do que questões econômicas imediatas. Ele citou, nesse contexto, tensões inflacionárias e o conflito militar contra o Irã.
A permanência desse apoio majoritário não elimina perdas de popularidade de Trump. Mas indica que, nas disputas apertadas das midterms, os evangélicos brancos seguem como uma base de alta relevância para o Partido Republicano.
Com informações de Valor Econômico.





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