Igrejas celebram 509 anos da Reforma Protestante no Brasil
Data de 31 de outubro lembra o movimento iniciado por Martinho Lutero em 1517 e mobiliza comunidades luteranas no país.

A Reforma Protestante completa 509 anos neste sábado, 31 de outubro, com celebrações em congregações pelo Brasil. A data recorda o movimento iniciado em 1517 por Martinho Lutero, na Alemanha, e reúne igrejas em cultos, atos religiosos e momentos de memória histórica, segundo o Comunhão.
O marco está ligado às 95 teses apresentadas por Lutero, que questionavam práticas da Igreja Católica, especialmente a comercialização de indulgências. A contestação abriu caminho para uma nova leitura do cristianismo e influenciou comunidades religiosas em diferentes partes do mundo.
No Brasil, a celebração também reacende debates sobre o lugar do luteranismo no país. O Jornal NH destacou que duas vertentes se consolidaram a partir dessa tradição: a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).
A IELB é associada a uma linha teológica mais conservadora, com origem ligada ao Sínodo de Missouri, nos Estados Unidos. A IECLB, por sua vez, tem perfil de atuação mais progressista e raízes na tradição europeia.
Reforma Protestante e Celebrações Luteranas
Em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, comunidades luteranas prepararam programações especiais para o aniversário da Reforma. Na Igreja Luterana São Paulo, a celebração foi marcada para as 19h. Na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Ascensão, os atos religiosos ocorreram em três horários: 9h30, 17h e 19h.
Para o pastor Carlos Kracke, da Igreja Luterana São Paulo de Novo Hamburgo, a mensagem da data se volta à igualdade entre as pessoas diante de Deus e ao perdão em Cristo. “É saber que, diante de Deus, todos nós pecamos, mas Deus nos aceita em Cristo Jesus. Hoje, nesse mundo em que percebemos que, às vezes, há grupos que se acham melhores do que outros, a fé cristã primeiro diz: todos nós falhamos, e a salvação é um presente que Deus oferece a todos”, afirmou.
A leitura da data como celebração e exame da caminhada cristã também aparece entre lideranças da IECLB. O pastor Mateus Tasso, da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Ascensão, relacionou o 31 de outubro ao retorno à vivência da Palavra.
“Olhando para o 31 de outubro, devo olhar esse dia sim como uma celebração também reflexiva. Lutero, na igreja de Wittenberg, prega aquelas 95 teses trazendo de volta o povo para a vivência da palavra de Deus em Cristo Jesus. Este é o nosso maior desafio: não sermos modelados pelo padrão do mundo, vivendo a atualidade, mas olhando para a frente”, declarou o pastor Mateus.
O crescimento do luteranismo fora de seus territórios históricos também foi citado nas celebrações. Embora a tradição tenha forte ligação com a Alemanha e países nórdicos, o pastor Carlos Kracke afirmou que o maior grupo de luteranos está hoje na África, onde há atuação missionária intensa.
“Hoje, podemos dizer que com essa diversidade cultural muito grande dentro da igreja, o maior grupo de luteranos está na África, porque ali tem um trabalho missionário muito forte. A teologia luterana tem realmente envolvido muitas pessoas, (e) o cristianismo cresce muito na África hoje, também”, afirmou o pastor Carlos.
Dia da Reforma
No Paraná, o Dia da Reforma Protestante faz parte do Calendário Oficial de Eventos do Estado. A Assembleia Legislativa do Paraná informou que a inclusão ocorreu por meio da Lei Estadual n.º 18.954, sancionada em 8 de fevereiro de 2017, a partir do projeto de lei 429/2016.
A proposta foi apresentada pelo deputado estadual Gilson de Souza (PL), 3.º vice-presidente da Alep. Para ele, a data tem alcance religioso, educacional, cultural e social.
“A Reforma Protestante não transformou apenas a história da Igreja. Seu legado alcançou a educação, a cultura e a sociedade. Ao instituirmos essa data no Calendário Oficial do Paraná, reconhecemos a importância de um movimento que atravessou séculos e continua inspirando milhões de pessoas”, declarou Gilson de Souza.
A publicação da Alep também registrou princípios ligados à Reforma de 1517, como a autoridade das Escrituras, a justificação pela fé e o acesso dos cristãos à Bíblia em sua própria língua. O movimento teve impacto na circulação do conhecimento e no debate sobre liberdade de consciência e religião.
Outro ponto associado ao legado reformador é o incentivo à alfabetização. Lutero defendia a formação escolar de meninos e meninas, por entender que a leitura era parte do acesso às Escrituras e da formação das pessoas.
Após 509 anos, o 31 de outubro segue sendo lembrado por igrejas históricas como uma data de culto, ensino e afirmação de princípios que marcaram a tradição protestante desde o século 16.
Com informações de comunhao.com.br.





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