Submarino nuclear russo lança míssil Bulava e atinge alvo no Ártico
Disparo partiu do Mar de Okhotsk e alcançou campo de testes na região de Arkhangelsk, perto das fronteiras da Finlândia e da Noruega.

Um submarino nuclear russo lançou um míssil Bulava a partir de uma posição submersa no Mar de Okhotsk, nesta quarta-feira, e atingiu um alvo na região ártica de Arkhangelsk. O disparo foi feito pelo Generalissimus Suvorov, embarcação estratégica da Frota do Pacífico.
O teste foi relatado pelo Observador, com base em informações do Ministério da Defesa da Rússia. O governo russo afirmou que o lançamento ocorreu dentro de um plano de treino militar e teve como destino o polígono de Chizha.
O míssil saiu do extremo oriente russo. O alvo, no norte do país, fica a pouco mais de 600 quilômetros da fronteira com a Finlândia e a Noruega.
Em mensagem divulgada pelo Telegram, a pasta da Defesa russa declarou: “as ogivas do míssil atingiram com sucesso o polígono de testes no horário previsto”, informou a RTP. O ministério também publicou um vídeo do disparo.
Míssil Bulava foi lançado de submarino da classe Borei-A
O Generalissimus Suvorov pertence ao projeto 955A Borei-A. A embarcação, identificada como K-553, integra a frota estratégica russa e é projetada para operar com mísseis balísticos intercontinentais.
A Defense Express informou que este foi apenas o segundo lançamento de um R-30 Bulava feito por esse submarino em seu histórico de serviço ativo. O anterior ocorreu em novembro de 2022, antes de a embarcação ser oficialmente comissionada.
O submarino tem capacidade para carregar até 16 mísseis Bulava. Também possui seis tubos de torpedo de 533 mm.
Os dados técnicos divulgados pelo veículo indicam deslocamento de 24.000 toneladas em imersão, 170 metros de comprimento e 13,5 metros de largura. A velocidade máxima submersa chega a 29 nós, enquanto na superfície é de 15 nós. A profundidade máxima de mergulho é apontada como até 480 metros.
A construção começou em 2014. O período até os testes no mar, em 2022, durou cerca de oito anos. O Generalissimus Suvorov foi a terceira unidade entregue do projeto modernizado Borei-A.
Alvo fica no Cabo Kanin, no norte da Rússia
O polígono de Chizha fica no Cabo Kanin, na costa oriental da península de Kanin, banhada pelo Mar de Barents, informou o The Barents Observer. O local integra a região de Arkhangelsk.
O mesmo veículo registrou que a alegação russa de sucesso no teste não foi verificada de forma independente. O Ministério da Defesa da Rússia, porém, apresentou o lançamento como concluído dentro do previsto.
A Rússia já realizou mais de 40 lançamentos de teste com o Bulava desde a criação do míssil. O teste anterior ocorreu em 5 de novembro de 2024, pelo submarino nuclear Imperator Alexandr III.
Um ano antes, o próprio Generalissimus Suvorov havia lançado um Bulava a partir do Mar Branco em direção ao polígono de Kura, na península de Kamchatka, nas margens do Pacífico.
Teste ocorre após telefonemas de Putin a líderes nórdicos
O lançamento aconteceu um dia depois de Vladimir Putin conversar por telefone com o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, e com o presidente da Finlândia, Alexander Stubb. Os dois países ficam próximos da área onde está o polígono atingido.
No relato diplomático do episódio, Putin disse que uma paz justa e duradoura na Ucrânia “só será possível se forem levados em conta, de maneira plena e incondicional, os interesses legítimos da Federação Russa”.
O presidente russo também criticou “a política de confronto dos países da União Europeia e da NATO, que leva ao prolongamento das ações militares” entre Rússia e Ucrânia.
O teste russo ocorreu no mesmo período em que os Estados Unidos realizam o exercício de comando e controle nuclear Global Thunder. Na terça-feira anterior ao lançamento, um bombardeiro estratégico americano B-52 sobrevoou o norte da Europa, escoltado por caças do Reino Unido e da Noruega, dentro dos exercícios da OTAN.
A Marinha Russa opera atualmente oito submarinos das classes Borei e Borei-A. Três estão na Frota do Norte e cinco na Frota do Pacífico. Outras duas embarcações estão em construção no estaleiro Sevmash.
Com informações de Observador.
Também consultados: RTP, The Barents Observer e Defense Express.





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