Fé cresce enquanto igrejas na Ucrânia são destruídas pela guerra
Templos danificados, líderes mortos e cultos em abrigos marcam a vida de comunidades cristãs sob ataques russos.

As igrejas na Ucrânia continuam enfrentando os impactos da guerra contra a Rússia, com templos destruídos, locais de culto ocupados e líderes religiosos mortos. Segundo o The Christian Post, ao menos 737 locais de culto foram danificados ou destruídos no país. Apesar da devastação, comunidades cristãs seguem se reunindo em abrigos antiaéreos, prédios atingidos e santuários parcialmente em ruínas, mantendo viva a fé em meio ao conflito.
Os números mostram uma mudança expressiva. Desde o início da invasão, o total de organizações religiosas registradas na Ucrânia aumentou em mais de 3 mil, quase 10%, com avanço principalmente entre congregações católicas e protestantes. A parcela de ucranianos que se identificam como crentes subiu de 68% para 74%.
Entre jovens de 18 a 24 anos, o salto foi maior. A proporção dos que se declaram crentes passou de 48% para 61%. Em um país sob bombardeios constantes, a prática religiosa passou a aparecer também em tarefas de sobrevivência comunitária: jovens carregam geradores, ajudam idosos e mantêm cânticos em locais improvisados de culto.
Templos Atingidos
O pastor Mark Sergeev é um dos líderes citados nesse contexto. Ele liderava a Melitopol Christian Church, fundada por seus pais 30 anos antes no sudeste da Ucrânia, até que a Rússia confiscou tanto a igreja quanto sua casa. Depois, já em Kiev, perdeu uma segunda residência por causa da guerra.
Hoje, Sergeev pastoreia a Kyiv Ecclesia Church. Sua trajetória aparece no episódio “Even in the Ruins”, da série “Faith in War”. A história acompanha um padrão visto em outras regiões: igrejas ocupadas, prédios religiosos destruídos e comunidades tentando manter atividades pastorais em meio às perdas.
Outro caso citado é o da Good News Pentecostal Church, liderada pelo pastor Viktor Pavenko por mais de 30 anos. A igreja foi destruída por um ataque russo em um domingo, 18 de outubro, às 11h, horário de culto. Um alerta prévio de alto risco de ataque direcionado na área evitou que centenas de pessoas estivessem no local.
A Forbes registrou que, em 15 de junho de 2026, ataques russos com mísseis e drones causaram graves danos estruturais ao teto da Catedral da Dormição, no mosteiro Kyiv-Pechersk Lavra, patrimônio da UNESCO fundado no século XI. O veículo também citou dados da UNESCO: ao menos 536 locais culturais foram danificados entre fevereiro de 2022 e junho de 2026, com impacto sobre igrejas, mesquitas, sinagogas e escolas religiosas no leste e no sul do país.
Na mesma publicação, o arcebispo Daniel Zelinsky afirmou que autoridades ucranianas confirmaram a morte de 67 membros do clero desde o início da invasão russa em grande escala. O arcebispo metropolitano Borys Gudziak declarou que a agressão tem caráter genocida e disse que, “como a fé, a vida comunitária e o engajamento religioso são parte crucial da sociedade, os russos estão mirando explicitamente grupos religiosos”.
Em Melitopol, a pressão sobre comunidades evangélicas também foi documentada pela PBS News. A emissora relatou que forças de segurança russas passaram a invadir cultos, registrar fiéis e confiscar templos de grupos protestantes e evangélicos sob acusação de espionagem.
O pastor Mikhaylo Brytsyn, líder da Grace Evangelical Church desde 1991, contou que soldados russos interromperam um culto, catalogaram documentos dos fiéis e deram 48 horas para que deixassem o prédio. Dados do Institute for Religious Freedom, citados pela emissora, indicam que mais de 206 igrejas evangélicas foram expropriadas, fechadas ou destruídas em áreas ocupadas por tropas russas.
O diretor da Ukraine Freedom Project, Steven Moore, afirmou à PBS News que pelo menos 29 líderes religiosos cristãos foram mortos por forças russas na Ucrânia. A emissora também registrou o relato de Mark Sergeev de que a New Generation Church funcionou como refúgio e abrigo para dezenas de famílias aterrorizadas durante semanas de fogo de artilharia após a invasão de 24 de fevereiro de 2022.
O Hudson Institute descreveu como santuários passaram a assumir funções civis durante a guerra. Em Kiev, a igreja Peace Temple, liderada pelo reverendo Volodymyr Kondor, foi transformada em abrigo antiaéreo, centro de acolhimento para deslocados e ponto logístico do World Food Programme.
A especialista Kateryna Goncharova, do World Monuments Fund, afirmou que cerca de duas igrejas foram danificadas por dia no início da agressão armada russa. Um levantamento citado pelo instituto apontou as maiores concentrações de templos atingidos em Donetsk, com 67 registros; Luhansk, com 58; Kiev, com 43; e Kharkiv, com 35.
Os ataques também alcançaram templos historicamente ligados ao Patriarcado de Moscou. Entre eles está o mosteiro de madeira All Saints, em Svyatogorsk, Lavra. Para as comunidades locais, a rotina religiosa segue entre deslocamentos, reparos, cultos em locais protegidos e a tentativa de manter reunidos fiéis que perderam casas, igrejas e familiares.
Com informações de The Christian Post.





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