Mais de 60 cristãos na Etiópia são mortos em ataques
Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo denunciou mortes, casas incendiadas e fuga de moradores na região de Oromia.

Mais de 60 cristãos na Etiópia foram mortos em ataques registrados na região de Oromia, no sul do país. A Rádio 93 FM informou que a Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo denunciou também casas incendiadas e a fuga de moradores, em meio ao aumento de ofensivas contra cristãos na região.
Os casos foram comunicados pela Assembleia Geral do Santo Sínodo da igreja, a partir de um informe recebido da Eparquia de Arsi, localizada na Zona de Arsi, no estado regional de Oromia, publicou a Gazeta do Povo. A liderança ortodoxa classificou os episódios como “ataques brutais e impiedosos” e pediu ação urgente do governo federal para proteger a liberdade religiosa prevista na Constituição e punir os responsáveis.
Foram dois ataques em poucos dias. A Africanews relatou que 14 fiéis foram mortos em 20 de outubro, no distrito de Merti, e outros 46 foram assassinados em 24 de outubro, no distrito de Sherka.
A violência deixou marcas além das mortes. Mais de 20 residências foram incendiadas, e mais de 20 sobreviventes precisaram ser internados com ferimentos graves.
Ataques Contra Cristãos
A região de Oromia, a maior da Etiópia, tem cerca de 40 milhões de habitantes e enfrenta conflito entre forças do governo e o Exército de Libertação Oromo desde 2018, registrou a CathNews. A mesma publicação informou que outros grupos armados e gangues criminosas também atuam na área, onde civis sofrem com mortes, extorsões e sequestros.
O porta-voz do governo regional de Oromia, Hailu Adugna, atribuiu os ataques ao Exército de Libertação Oromo, conhecido pela sigla OLA. Ele afirmou que rebeldes e aliados tentam provocar conflitos étnicos e religiosos para desviar a atenção de perdas militares no norte da Etiópia, mas não apresentou provas na declaração.
O OLA integra a Aliança das Forças dos Povos Etíopes pela Sobrevivência, coalizão formada em setembro com o objetivo de derrubar o primeiro-ministro Abiy Ahmed. O grupo reúne sete organizações, entre elas a Frente de Libertação do Povo Tigré e o Movimento Nacional Amhara Fano.
O comandante do OLA, Kumsa Diriba, conhecido como Jaal Marroo, havia negado anteriormente que seus combatentes ataquem civis. “Nossa guerra não é contra o povo”, disse ele em entrevista citada pela CathNews.
A organização ACLED afirmou que as ações aparentam ter motivação religiosa deliberada contra cristãos ortodoxos. A entidade também registrou saque a templo e aumento contínuo dessas investidas na região desde fevereiro de 2023.
A Comissão Etíope de Direitos Humanos informou que está apurando e monitorando formalmente os incidentes. Autoridades locais disseram que assistência médica e humanitária seria oferecida a feridos e pessoas desalojadas.
O Santo Sínodo afirmou que os ataques violam garantias constitucionais de liberdade religiosa e direito à vida. A igreja pediu que as autoridades condenassem publicamente as mortes e adotassem medidas para impedir novos episódios de violência.
O contexto nacional já vinha sendo motivo de preocupação para lideranças cristãs. Semanas antes, a Conferência dos Bispos Católicos da Etiópia havia pedido o fim dos conflitos armados no país e defendeu diálogo e reconciliação.
Com informações de Rádio 93 FM.





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