Blindados da Coreia do Norte são vistos perto da fronteira com o Sul
Movimentação ocorreu após troca de acusações sobre explosão de mina na Zona Desmilitarizada.

Blindados norte-coreanos foram vistos nesta segunda-feira (26) perto da fronteira com a Coreia do Sul, em um momento de tensão entre Pyongyang e Seul por causa de uma explosão de mina e de atividades militares na Zona Desmilitarizada. A informação foi publicada pela CPAD News, a partir do relato de uma testemunha posicionada em um observatório sul-coreano com vista para a divisa.
A movimentação foi registrada em 26 de outubro de 2026 por repórteres da Reuters, segundo a CNN Brasil. A testemunha viu três veículos blindados da Coreia do Norte com os canos apontados para o sul e também uma peça de artilharia autopropulsada colocada de forma visível perto da fronteira.
O ponto de observação ficava em Gimpo, na Coreia do Sul, informou o Defesa em Foco. No mesmo local, também foram observados entre 20 e 30 soldados norte-coreanos trabalhando na instalação de cercas dentro da Zona Desmilitarizada, área conhecida pela sigla em inglês DMZ.
Blindados norte-coreanos e artilharia chamam atenção na fronteira
A agência sul-coreana Yonhap identificou o armamento como um obuseiro autopropulsado de 122 mm. A presença pública desse tipo de equipamento na área foi descrita como rara.
Lim Eul-chul, professor da Universidade Kyungnam, em Seul, afirmou à Reuters que a exposição ostensiva da artilharia autopropulsada é altamente incomum. Para ele, o gesto tem peso político e militar.
“Ao exibi-la deliberadamente, a Coreia do Norte está sinalizando por meio de ações, e não de palavras, que pretende fazer valer sua política de fronteira pela força, em vez de diálogo ou negociação.”
O especialista também disse que a ação funciona como advertência para que a Coreia do Sul atue com cautela e evite um confronto militar acidental na região. A fronteira segue fortemente armada.
A nova tensão ocorre depois que Pyongyang enviou uma carta ao Conselho de Segurança da ONU no domingo (25 de outubro de 2026). A Coreia do Norte acusou Seul de forjar uma explosão de mina ocorrida em 21 de setembro para apresentar obras norte-coreanas na área como uma incursão militar.
A agência estatal KCNA afirmou que a missão norte-coreana junto à ONU advertiu que violações de soberania levarão a medidas de autodefesa. A carta também disse que a Coreia do Sul será “totalmente responsável por todas as consequências”.
Seul apresentou posição oposta. A Coreia do Sul havia enviado documento ao Conselho de Segurança na semana anterior afirmando que a explosão de 21 de setembro na Zona Desmilitarizada foi causada por uma mina instalada por tropas norte-coreanas, o que violaria o Acordo de Armistício da Guerra da Coreia.
O Comando das Nações Unidas também declarou que a presença de uma mina norte-coreana além da linha de demarcação representa violação do armistício. Pyongyang nega responsabilidade.
O governo sul-coreano propôs diálogo para reduzir as tensões. Militares do Sul afirmam que usam avisos sonoros e disparos de advertência quando soldados norte-coreanos cruzam a Linha de Demarcação Militar, que divide a Zona Desmilitarizada ao meio.
Nos últimos anos, tropas da Coreia do Norte têm construído estradas e cercas, além de instalar minas nas proximidades da linha. A ausência de canais regulares de diálogo militar entre os dois países amplia os riscos de uma escalada acidental envolvendo aliados e potências internacionais na região.
Com informações de CPAD News.
Também consultados: CNN Brasil, Reuters e Defesa em Foco.





Comentários