Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Derrota de Flávio Bolsonaro abre disputa por comando da direita

Lula venceu o segundo turno, enquanto PL sai das urnas com força ampliada no Congresso a partir de 2027.

Família Bolsonaro sofre nova derrota e direita reorganiza lideranças
Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo

Flávio Bolsonaro perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo (25/10/2026), em um resultado que abriu uma nova disputa dentro da direita brasileira. O desfecho foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10, com 100% das urnas apuradas, segundo o Estadão.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro, candidato do PL, ficou com 48,21%. A diferença encerrou a primeira tentativa presidencial do senador e impôs nova derrota nacional à família Bolsonaro.

A Folha de S. Paulo informou que Flávio obteve quase 60 milhões de votos no segundo turno, depois de surpreender ao terminar a primeira etapa da disputa à frente do petista. A votação mostrou a permanência do antipetismo como força eleitoral, mesmo com a derrota no confronto final.

A campanha de Lula reagiu entre os turnos com mobilização nas ruas e nas redes. A atuação digital foi liderada pelo deputado federal André Janones, ainda conforme a publicação.

Sucessão da Direita

A derrota atinge diretamente a tentativa de Flávio Bolsonaro de se firmar como principal herdeiro político do bolsonarismo. O senador termina seu mandato de oito anos no Senado ao fim de 2026 e ficará sem cargo público a partir de 2027, publicou o R7.

O cientista político Magno Karl avaliou ao portal que a liderança de Flávio na direita fica ameaçada “porque existem outros candidatos na fila”. Dois nomes aparecem com mais destaque nesse rearranjo: Tarcísio de Freitas, reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, e Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal.

Há mais um fator pesado no tabuleiro. A reeleição de Lula elimina a possibilidade de um indulto presidencial a Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe em 2022. Com isso, o ex-presidente segue inelegível e preso, salvo eventual reversão pelo Supremo Tribunal Federal.

Flávio também é formalmente investigado no inquérito do Supremo que envolve o filme Dark Horse. A produção recebeu ao menos R$ 65 milhões de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Crescimento do PL Apesar da Derrota

A perda da Presidência não impediu o avanço partidário. O InfoMoney publicou que o PL elegeu as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado para a legislatura que começa em 2027.

Esse resultado fortalece dirigentes da legenda nas negociações sobre o futuro da oposição. O cientista político Jorge Chaloub, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou: “O PL não é só do bolsonarismo, o PL é do bolsonarismo e do Valdemar”. A referência é a Valdemar Costa Neto, presidente do partido.

Na avaliação de Chaloub, a ampliação das bancadas e os recursos administrados pela sigla dão a Valdemar instrumentos para influenciar a escolha do candidato presidencial de 2030. Ele também apontou Michelle Bolsonaro como uma das beneficiadas pelo novo quadro.

“Caso o Flávio não ganhe, uma grande vitoriosa da eleição pode ser a Michelle Bolsonaro, que agora vai ter o Valdemar da Costa Neto como aliado”, disse Chaloub.

Michelle e Flávio tiveram divergências durante a definição da candidatura presidencial. A disputa interna perdeu intensidade depois da consolidação do nome do senador, mas pode voltar a pesar nas articulações do grupo para a próxima eleição nacional.

A cientista política Letícia Mendes, da BMJ Consultoria, disse ao R7 que a família deve tentar manter a sucessão vinculada ao sobrenome Bolsonaro. “A família vai querer manter essa ligação sanguínea nas indicações para manter o nome e legado vivos”, afirmou.

O resultado deixa à direita diante de uma composição menos centrada em um único nome. Flávio sai da disputa com grande votação, mas sem mandato a partir de 2027. O PL chega maior ao Congresso. Michelle, Tarcísio e Valdemar passam a ocupar espaço nas decisões que vão moldar a oposição nos próximos anos.

Com informações do Estadão.

 

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