Ministério LGBT fundado pelo padre James Martin publica 'oração LGBTQ' que invoca 'santos queer'
Texto propõe versão adaptada da oração penitencial da missa católica e gera críticas entre veículos conservadores.

A publicação de uma oração LGBTQ no site Outreach, iniciativa fundada pelo padre jesuíta James Martin, gerou repercussão entre veículos católicos conservadores. O texto adapta uma das mais conhecidas orações penitenciais da missa católica e inclui a invocação de “santos queer”, conforme noticiado pelo The Christian Post.
O artigo foi publicado em 25 de outubro de 2026 e assinado por Ariell Watson Simon. Ela possui mestrado em Teologia pela Boston College School of Theology and Ministry e atua como capelã em um centro de reabilitação.
Na versão tradicional da oração penitencial conhecida como Confiteor, os fiéis confessam a Deus e à comunidade cristã que pecaram “por pensamentos e palavras, atos e omissões”. O rito inclui a batida no peito como sinal de arrependimento e a invocação da "Virgem Maria", dos anjos e dos santos.
Na adaptação apresentada por Simon, esse trecho final é alterado. Em lugar da referência a Maria, aos anjos e aos santos, ela escreve: “Therefore I ask all my spiritual ancestors, queer saints, and you, the human family, to pray with me, that together we might build a better tomorrow”. Em português, a frase significa: “Por isso peço a todos os meus ancestrais espirituais, santos queer e a vocês, família humana, que rezem comigo, para que juntos possamos construir um amanhã melhor”.
Oração LGBTQ inaugura série sobre a missa sob perspectiva queer
O texto foi apresentado como o primeiro de uma série dedicada a analisar elementos da liturgia católica a partir de uma perspectiva LGBTQ. Segundo Simon, a orientação sexual ou a identidade de gênero não devem ser tratadas como falhas morais.
Ela escreveu que “LGBTQ people are no more sinful than our heterosexual and cisgender counterparts” (“Pessoas LGBTQ não são mais pecadoras do que seus equivalentes heterossexuais e cisgêneros”). Também declarou: “My queerness doesn’t make me sinful, but my humanity does” (“Minha identidade queer não me torna pecadora; minha condição humana, sim”).
No artigo, a autora relembra sua experiência ao rezar o Confiteor durante seus estudos na Loyola University Maryland, período em que enfrentava conflitos relacionados à própria identidade homossexual. Simon afirma que, ao ouvir a confissão de pecados durante a missa, frequentemente se perguntava se as pessoas ao seu redor consideravam sua sexualidade um “grande pecado”.
A autora também critica o que considera uma ênfase excessiva da tradição católica romana na moralidade sexual. Ela cita uma declaração atribuída ao papa Leão XIV, segundo a qual existem questões “muito maiores e mais importantes”, como justiça, igualdade e liberdade.
Em sua releitura da oração penitencial, Simon propõe a inclusão de referências a “pensamentos preconceituosos”, “julgamentos tendenciosos”, “palavras descuidadas” e “fala interna degradante”. O texto também menciona a cooperação com injustiças e a omissão diante delas.
“Eu confesso ao nosso Deus amoroso e a vocês, meus irmãos e irmãs, que falhei em meus pensamentos preconceituosos e julgamentos tendenciosos, em minhas palavras descuidadas e em minha fala interna degradante, no que fiz para cooperar com a injustiça e no que deixei de fazer para resistir a ela; por meu medo, por minha complacência e por meus piores erros.”
Simon também menciona pecados estruturais como racismo, xenofobia e transfobia. Segundo ela, o conflito interno que enfrentava em relação à própria sexualidade acabou desviando sua atenção de outras questões que também deveriam fazer parte do exame de consciência cristão.
A InfoVaticana registrou, em 28 de outubro de 2026, que grande parte da repercussão se concentrou na substituição das invocações à Virgem Maria, aos anjos e aos santos pela referência a “ancestrais espirituais” e “santos queer”. O veículo também destacou que a Outreach é vinculada à America Media e foi fundada por James Martin em 2020.
O portal mencionou ainda a reação do LifeSiteNews, que classificou a reformulação da oração como “blasfema”. A principal crítica foi direcionada à inclusão da expressão “santos queer” no texto adaptado.
A Complicit Clergy, em artigo publicado na mesma data, acusou a proposta de transferir o foco do arrependimento pessoal para questões sociais, como preconceito, racismo, xenofobia e transfobia. O site também afirmou que a iniciativa de Martin recebeu manifestações de apoio de membros influentes do alto clero norte-americano, entre eles os cardeais Robert McElroy e Blase Cupich.
James Martin já enfrentou críticas de grupos católicos conservadores por supostamente contrariar ensinamentos tradicionais da Igreja sobre sexualidade, acusações que ele rejeita, segundo registros da Catholic News Agency. Em 2021, também foi alvo de controvérsia após compartilhar uma mensagem que se referia a Deus utilizando o pronome feminino “Her” (“Ela”) e defendia que imagens femininas para representar Deus poderiam ser consideradas teologicamente adequadas.
Em 2025, durante uma entrevista com o ex-secretário de Transportes dos Estados Unidos Pete Buttigieg, Martin descreveu a experiência da parentalidade homossexual de Buttigieg como “beautiful” (“bela”) e a comparou às relações existentes entre o Pai e o Filho na doutrina da Trindade. Já em 2024, o papa Francisco escreveu o prefácio da edição italiana de um livro de Martin sobre a ressurreição de Lázaro.
O debate sobre sexualidade e identidade de gênero também surgiu em outra publicação católica. Em agosto, o National Catholic Reporter publicou um artigo de opinião incentivando leitores a celebrarem o “Mês da História Transgênero” por meio de orações dirigidas a supostos santos transgêneros.
O texto foi assinado por Emma Cieslik, apresentada como pesquisadora religiosa queer, neurodivergente e funcionária de museu em Washington, D.C. Ela argumentou que a história transgênero possui conexões com a tradição católica e com figuras veneradas como santas, que alguns historiadores contemporâneos identificariam como transgêneros.
Segundo a cobertura do The Christian Post, Cieslik atribuiu identidades transgênero modernas a personagens históricas católicas, em sua maioria mulheres que adotaram vestimentas, cortes de cabelo ou funções socialmente associadas aos homens por motivos de ascetismo religioso ou segurança dentro da vida monástica.
Com informações de The Christian Post.
Fontes consultadas: Outreach, InfoVaticana e Complicit Clergy.





Comentários