Filho de pastor cubano detido pelo ICE pode ser deportado para Cuba
Daniel Arcadis Solano Jaume entrou legalmente nos EUA com a família após fuga de Cuba e teve pedido de residência negado na Califórnia.

O filho de um pastor cubano batista está detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, o ICE, desde junho e pode ser enviado de volta a Cuba. Daniel Arcadis Solano Jaume, de 19 anos, teve o pedido de residência permanente rejeitado por um juiz na Califórnia na semana passada, informou o The Christian Post.
A Christian Solidarity Worldwide, organização sediada no Reino Unido que documenta violações de liberdade religiosa, afirma que Daniel corre risco de prisão ou de alistamento forçado nas Forças Armadas cubanas se for deportado. O jovem está no Otay Mesa Detention Center, em San Diego.
Daniel foi parado pela polícia por volta das 2h de 25 de junho, na região de Kendall, no condado de Miami-Dade, porque dirigia com os faróis apagados. Após passar cerca de 48 horas no Turner Guilford Knight Correctional Center, ele foi entregue ao ICE antes que a família conseguisse pagar fiança.
O pai dele, o reverendo Arcadis Solano Silvera, disse que o filho não tem antecedentes criminais além da multa de trânsito, que ainda está pendente. Daniel se formou na Felix Varela Senior High School, em Kendall, trabalhou, declarou impostos desde que chegou aos Estados Unidos e pretendia ingressar no Corpo de Fuzileiros Navais.
Fuga Após Pressão Militar
A família entrou legalmente nos Estados Unidos em 30 de agosto de 2023. Antes disso, havia deixado Cuba após uma tentativa de registrar Daniel para o serviço militar quando ele tinha 15 anos, idade inferior ao mínimo de 17 anos previsto pela lei cubana.
Arcadis Solano Silvera integrava a Convenção Batista de Cuba Oriental e liderava uma igreja em Santiago de Cuba. A CSW relata que ele foi monitorado, interrogado e ameaçado durante anos por agentes da Segurança do Estado, inclusive com ameaças de fechamento ou destruição de seu templo.
Em março de 2023, oficiais das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba foram à casa da família para levar o adolescente ao registro militar. No dia seguinte, uma agente de Segurança do Estado identificada pelo pseudônimo “Anais”, com patente de tenente, enviou mensagens repetidas ao pastor.
Para proteger o filho, Silvera e a esposa, Yadely Jaume Martin, saíram de Cuba. A família foi primeiro para a Jamaica, depois para a República Dominicana e chegou ao México em julho de 2023. Ali, iniciou o processo online de agendamento usado na época pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos.
Depois de um atendimento em Nogales, no Arizona, o casal e os dois filhos receberam autorização de entrada durante o governo Biden. Em setembro de 2024, eles solicitaram residência permanente com base no Cuban Adjustment Act, lei de 1966 que permite a cubanos que vivem nos Estados Unidos há pelo menos um ano pedir residência.
O pedido de Daniel, registrado pelo formulário I-485, foi negado. O advogado da família apresentou o formulário I-290B para recorrer da decisão.
O Baptist Standard informou que uma audiência de imigração foi marcada para quarta-feira, 28 de outubro de 2026, com uma moção para encerrar o processo de deportação. “Seu advogado está buscando uma moção para encerrar os procedimentos de remoção. Somos representados por advogados capazes, que estão trabalhando diligentemente em seu favor, e estamos orando por um resultado favorável", disse Silvera.
O pai de Daniel é capelão em tempo integral de cuidados paliativos na VITAS Healthcare, em Miami. Ele obteve doutorado no B.H. Carroll Theological Seminary e atuou como professor adjunto na mesma instituição e na East Texas Baptist University.
“Cuidar de pessoas em circunstâncias vulneráveis é central na minha vocação, o que torna especialmente doloroso testemunhar o sofrimento do meu próprio filho”, afirmou Silvera.
O pastor também agradeceu o apoio recebido. “Nossa esperança é que a situação de Daniel seja avaliada de forma justa, que sua dignidade e saúde sejam protegidas, e que ele possa retornar à família e continuar construindo seu futuro”, disse.
Durante o período sob custódia, Daniel passou por uma instalação do ICE em Miramar, na Flórida. Ele relatou ter ficado de quatro a cinco horas em uma sala de cerca de 3 metros de cada lado, com mais de 60 pessoas. Depois, ficou cerca de 10 dias no centro de detenção Krome, em Miami, onde completou 19 anos em 20 de julho.
Na transferência para a Califórnia, Daniel foi levado de ônibus e avião, algemado com correntes. O pai afirmou que as contenções dificultaram seus movimentos e o deixaram muito desidratado. Já em San Diego, ele contraiu Covid-19 e disse à família que não recebeu os remédios de que precisava.
Silvera relatou que o filho tem mantido a fé cristã no centro de detenção, orando, compartilhando passagens bíblicas e pregando a outros detidos. Cartas em apoio ao jovem foram enviadas pela Associação Batista de Miami, por um sargento dos Fuzileiros Navais e por outras pessoas.
O The Washington Stand identificou a igreja pastoreada por Silvera em Cuba como a Quarta Igreja Batista, em Santiago de Cuba, e citou episódios de pressão ligados à oposição da comunidade evangélica local ao Código das Famílias cubano. O veículo também mencionou uma ameaça feita em 2022 com referência ao Artigo 6º do código, que tratava da separação de menores de seus pais em circunstâncias especiais definidas pelo Estado.
Anna Lee Stangl, diretora de advocacy da CSW, disse conhecer Silvera e a esposa há mais de 20 anos. Ela afirmou que a organização documentou mais de 50 violações de liberdade religiosa contra o pastor, seus familiares e suas igrejas.
“Dadas as circunstâncias da fuga deles de Cuba, temos sérias preocupações com a segurança de Daniel Arcadis Solano Jaume caso ele seja deportado dos Estados Unidos”, declarou Stangl.
Com informações de The Christian Post.





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